terça-feira, 12 de março de 2013

O Papa é Pop e Isso é Bom!

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

Passa da meia noite e estou frente ao televisor, pulando de canal em canal jornalístico da TV por assinatura e, assim como na parte da manhã, constato que a fumaça da Capela Sistina foi a cena mais visitada pelos jornalistas neste dia. Acabo de perceber a verdade, que já fora cantada pelo conjunto gaúcho, Engenheiros do Hawai, de fato, o "Papa é Pop!"
Nos telejornais da manhã e da noite, especialistas em religião, sociologia da religião, clérigos, leigos bem informados etc se revesaram como assessores de âncoras, repórteres de campo, em chamadas especiais, entrevistas, debates etc. Todo este interesse da mídia brasileira pelo "Conclave Cardinalício" precisa ser avaliado. 
Na verdade, todos sabemos que o que a mídia quer, tem um nome: "Ibope". Assim como o ser humano precisa do ar, os programas televisivos precisam que os televisores estejam sintonizados em sua programação. Então, são obrigados a ter sensibilidade para escolher bem suas matérias. E, neste momento, se o canal acima ou abaixo estiver fixado na chaminé romana, não adianta voltar à programação normal e mostrar alguma cena de crime, em algum lugar do país. A receita, nestes casos é simples: "Habemus Papam".
Mas por que isto é importante para este espaço de mensagens pastorais de um protestante? A questão que me chama a atenção é o quanto a religião impressiona a alma humana e a encanta. 
Devo dizer que todo o ritual da cúria romana e a preservação de tantas tradições chamam a atenção e despertam a imaginação de muitos católicos e não católicos. Ainda que em minha opinião encubram demais o verdadeiro propósito do cristianismo, não posso negar a força de fascinação de tudo isto. 
Depois que grande parte da humanidade já cria na morte da religião e, sobretudo, a destruição da Fé Cristã, o interesse mundial pelo Conclave Cardinalício em Roma obriga os tais profetas do fim da religião a refazerem suas previsões. 
Vamos e venhamos, no geral, as pessoas querem um Papa mais pop. Desejam que o próximo Papa negue sua fé, ou ao menos, assuma uma postura de uma fé mais popular. Leia-se: mais profana! Eu, espero que não! Mas é o que a mídia quer.
O interesse das pessoas, que motivou o interesse da mídia e que reforça o interesse das pessoas ainda mais, é um conjunto de fenômenos que revelam que a alma humana continua sedenta do divino. Revelam que os homens precisam de valores que sobrepujem as marcas desta cultura moderna tão evidentemente  decaída e falida.
Concluo esta nota de opinião com uma pergunta para a sua reflexão: a melhor maneira de alcançar o homem moderno, sedento por uma resposta que esteja além de si mesmo, seria através de uma pregação que apontasse para a eternidade ou aquela que mantivesse sua atenção nas pequenas circunstâncias desta vida? 

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Maior e Mais Justa Recompensa


Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno


Imagem colhida no BLOG: PROFETAS DE DEUS
“Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap 22.12). Este verso bíblico, como tantos outros, apresenta o tema da recompensa final.
Cristãos reformados, que creem que a salvação se dá pela graça e não por obras, têm muito cuidado para lidar com textos que parecem afirmar o valor das obras.
No entendimento reformado, as obras são muito importantes, embora não possamos confiar que elas nos salvem. Elas são recursos deixados por Deus para que cumpramos com o nosso propósito existencial pessoal. São ferramentas e meios pelos quais realizamos a vontade de Deus.
Mas, uma pergunta permanece sobre este ensino: podemos ter em mente a recompensa, o galardão, enquanto desenvolvemos as obras que Deus preparou para nós?
No livro do Apocalipse, a exemplo do texto acima, poderemos ler o seguinte: “Bem aventurados os mortos que, desde agora, (...), pois as suas obras os acompanham” (Ap.14.13). Textos que tratem da relevância das obras e do seu valor, quando da nossa entrada no reino eternal, não seriam um estímulo para a vida presente?
Eu acredito que sim, que devemos lembrar que Deus tem preparado para nós a justa recompensa. Pensar nisto poderá nos conduzir a viver para Cristo de maneira mais intensa. O problema é que muitos têm uma visão equivocada do que seja o galardão.
Para muitos, o galardão é uma espécie de prêmio que mostrará o quanto fomos melhores que os outros em algum aspecto da nossa fé. Para outros, as recompensas do Senhor são muito mais um fruto de mentes vaidosas e egocêntricas, pois se centram na concessão de privilégios que os outros não terão.
O próprio Deus é a maior recompensa do céu. Ser capacitado a servi-lo com alegria e consciência mais esclarecida é o grande presente que o Senhor nos dará. A eternidade se tornará cheia de um profundo e maravilhoso significado para nós, quando apreciarmos perfeitamente a possibilidade de que nossa vida o agrade.
Trabalhamos nesta vida para desfrutar do repouso eterno e o melhor repouso para a alma é satisfazer-se em servir a Deus. Assim como os anjos, espero a recompensa de servir ao Senhor, dia e noite! Trabalho para poder trabalhar mais!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Amar é Fundamental Para Fazer Boas Escolhas


Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

O amor está na raiz da percepção do “humano”. Ele, se manifesta de múltiplas formas, que vão desde o do sentimento erótico entre homem e mulher, até as mais diversas demonstrações de afetos e desejos por coisas corriqueiras, como o fruto de predileção palatável.
Amor, em um significado mais filosófico, é o responsável último por todas as ações humanas. É um afeto do coração, uma espécie de inclinação última para o desejo, a vontade, a racionalidade.
Baseado naquilo que o coração ama é que o homem decide, persegue, se inspira. O ser humano ama, até quando odeia. É esse afeto último do coração que o impulsiona a agir, sentir e pensar.
A capacidade de amar, distingue o homem e os anjos, dos restantes dos seres criados. A capacidade de amar é uma decorrência da racionalidade (não importando o grau de sua manifestação).
Quando Deus apresentou os motivos da sua escolha por salvar homens caídos, Ele pontuou que o fez por “amor”: “Por que Deus amou o mundo de tal maneira...” (João 3.16); “Ninguém tem maior amor do que este, ...dar a vida pelos seus amigos” (João 15.13); “Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos ...mas porque o SENHOR vos amava...” (Deuteronômio 7.7 e 8). O amor moveu Deus até nós, o amor moveu também seu Filho Jesus Cristo. O amor nos moverá a Deus e a Jesus Cristo.
O Evangelho do Reino nos foi apresentado por Jesus Cristo. Quando o Mestre no-lo apresentou, nos mostrou o seu amor por nós, mas insistiu em que amássemos a Deus acima de todas as coisas. Sem um coração que ama a Deus, o Reino dos Céus não será uma escolha tão evidente.
Quando Jesus acrescentou que devemos amar ao nosso próximo como a nós mesmos, Ele propôs a base mais profunda da ética do seu Reino e, mais uma vez afirmou, se o coração do homem não amar a Deus acima de tudo, viver segundo os princípios do Reino não será a escolha do homem.
Pense agora sobre suas escolhas na relação com Deus e o seu Reino. Em que você as têm baseado? Que tipo de amor você tem permitido sobressair-se no seu coração e se demonstrar em suas escolhas? Lembre-se que a obra de Deus é uma mudança na sua possibilidade de amá-lo. Se você crê nessa possibilidade, escolha bem!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Um Inimigo Fez Isso - O Problema do Falso Ensino



Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Imagem colhida no site: "reflexão da vida: crescer juntos"
O ser humano foi criado por Deus com uma capacidade maravilhosa: pensar. A mente humana é complexa e, com certeza, a ciência ainda está longe de se aproximar dos detalhes do funcionamento desta maravilhosa estrutura que, vai muito além das descargas elétricas entre os neurônios.
O universo mental do homem é como um mundo incontrolável. A definição de mente é um desafio e sua exploração acaba por ser uma tarefa inglória.
Diversos textos bíblicos fazem uma ligação entre coração e mente. Propõem o coração como a sede da existência: “...guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv.4.23) e também propõe o coração como um local onde os pensamentos são construídos: “...a palavra de Deus é... Apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12).
Por isso, quando avaliamos a ideia de mente na Escritura, resvalaremos sempre no conceito de “coração”. Um dos ensinos bíblicos mais repetidos sobre o coração do homem é que ele é o lugar onde nos achegamos a Deus ou abrigamos a inimizade contra Deus.
Quando, em Mateus 13. 1 a 23,  lemos a Parábola do Semeador e a compreendemos como um alerta para que os crentes desenvolvam o seu coração, por meio da reflexão profunda nas verdades da Palavra de Deus, até alcançarem um nível de vida frutífero e próximo de Deus. Essa percepção nos faz considerar sobre o propósito da “Parábola do Joio”.
Dentre tantas lições que este texto nos oferece, uma se destaca: trata-se da afirmação, utilizada no título desta pastoral: “Um inimigo fez isso”. O joio é muito parecido com o trigo, mas não produz o fruto (grão) esperado. Quem são, na prática, aqueles representados pelo joio na parábola? Jesus diz que são os “filhos do maligno”, que estavam no meio do trigal. São pessoas que não guardaram o seu coração da contaminação do mundo.
Existem cristãos que não consideram a força do Maligno e de seus ensinos destruidores. Crentes imaturos que se deixam levar pelo agitar de vários ventos de doutrina. Jesus deixou um alerta e não podemos negligenciar a presença do falso ensino: “Um inimigo fez isso”.
Portanto, guarde muito bem o seu coração! Um crente verdadeiro fará o possível para conhecer melhor a sua fé e firmar o seu coração em Deus (Salmo 108.1; Isaías 26.3). 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Entendimento de Um Protestante Sobre a Quaresma


Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno
Imagem colhida no
BLOG: vozdaigreja-img.blogspot.com.br
Historicamente, desde o século IV, o período de “quarenta dias” antecedentes à Páscoa, a quaresma, é indicado como um tempo de jejum e arrependimento que começa na conhecida “quarta-feira de cinzas”.
Católicos do mundo inteiro, guardam este tempo, como um dos mais especiais do ano para a sua demonstração de fé. E acredito que seja sempre muito oportuno, que todo cristão guarde um tempo para a santificação de sua vida.
Entretanto, aos poucos, o sentido da quaresma foi se tornando cada vez mais “sacramental” e passou a ser de uso litúrgico para o dia a dia dos cristãos católicos, levando-os à ideia de que seria pecado violar o jejum da quaresma. Uma ferramenta de devoção e entrega ao Senhor, passou a servir como instrumento humano de autojustiça, consequentemente, gerando um espírito de serviço obrigatório e sem amor.
Protestantes observam a quaresma? Não. Protestantes não guardam a quaresma no mesmo sentido que os católicos o fazem. Cremos que a salvação é pela graça e não por obras humanas. Devemos considerar que nenhum tempo de santificação, jejum e oração gerará qualquer mérito para que recebamos a misericórdia de Deus.
Mas, não obstante não guardarmos a quaresma desta forma sacramentalizada, seria importante que utilizássemos tempo da nossa vida para nos dedicar mais a refletir sobre nossa relação com a Cruz de Cristo.
Nenhuma disciplina quaresmal é capaz de nos fazer merecedores da Cruz de Cristo. A Cruz, sim, deve nos conduzir constantemente à oração, ao jejum, ao arrependimento etc.
Eu considero com muito apreço as datas importantes do cristianismo. A Páscoa, para mim, tem um significado muitíssimo especial, pois acredito ser a nossa principal referência. Em  consequência, admito que poderíamos nos preparar melhor para a sua chegada. Portanto, a quaresma para mim, é um tempo para a leitura da Palavra de Deus e os textos que prefiro neste período são aqueles relacionados com a morte e ressurreição de Jesus.
Da mesma forma, em nossas liturgias, estaremos fomentando a lembrança da Cruz de Cristo e do seu amor como maneira de levar a Igreja a se preparar para a chegada da Páscoa, tempo de gratidão máxima a Cristo, cujo sangue derramado nos purifica de todo o pecado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Igreja, o Perfume do Amor de Cristo

Foto obtida no BLOG: http://somosanoiva.blogspot.com.br
Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Quando o apóstolo Paulo escreveu a segunda carta aos coríntios, já havia passado pela Ásia, chegado à Europa e plantado Igrejas em diversas cidades destas regiões.
Ele, depois de ter passado os primeiros anos das Igrejas por ali estabelecidas, começou a perceber que, lutas estavam acontecendo no seio das congregações. Em geral, e principalmente na Igreja de Corinto, disputas internas e perturbações estavam interferindo no progresso do Reino de Cristo. Então, ele passa a escrever cartas, exortando as Igreja a perseverarem firmes na fé.
As Igrejas, entre tantas coisas que precisavam discernir para não sucumbir às armadilhas do Diabo, tinham de conhecer exatamente qual era o seu papel neste mundo. E para o apóstolo Paulo era de fundamental importância que a Igreja soubesse que era através dela, Igreja, que o mundo conheceria como é viver no Reino de Cristo.
A Igreja é como uma janela do Reino, por meio da qual se pode contemplar o poder transformador do Evangelho e a incrível força do amor de Cristo Jesus. Quando a Igreja assume este papel e o vive com integridade, ela torna sua mensagem palpável. Sai da teoria para a prática.
Paulo nos diz o seguinte: “...Deus (...) Sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo”(2 Coríntios 2.14 e 15). É de grande necessidade que reflitamos sobre a importância de que exerçamos com fidelidade este papel, de manifestar ao mundo o Amor de Cristo.
É o modo como estamos dispostos a agir para que o fraco se fortaleça, o perdido seja encontrado, ou o que tiver pecado, seja restaurado à comunhão, que de fato nos levará à experiência de ser uma Igreja finada com o Reino de Cristo e uma perfeita janela a mostrar-lhe o valor.
Qualquer projeto de vida para o cristão bíblico deverá considerar seriamente a necessidade de fortalecer a capacidade de amar a Deus e ao próximo. Uma Igreja que deseja ser agradável a Deus deve esforçar-se para ter uma irmandade harmônica de preocupação e cuidado mútuo.
Não se engane. O mundo está de olho da Igreja e olha para você como cristão. Tome a decisão de qual perfume você exalará. Se for o de Cristo, isto exigirá de você autorrenúncia e amor à Igreja.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Estruturar, Educar e Evangelizar - Uma Igreja Comprometida


Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

O Reino de Cristo não é apenas uma ideia, mas uma realidade. Esta realidade se torna visível no comprometimento dos filhos do reino, isto é, a igreja. Estes devem desenvolver os valores mais significativos da proposta redencional de Cristo.
A proposta redencional de Cristo é uma obra de constante restauração, por meio da qual, eu e você alcançamos a graça de ter o nosso coração completamente dominado por um amor profundo por Deus, que se expressa de forma clara no modo como amamos e servimos uns aos outros.
A Igreja Presbiteriana de Vila Formosa tem vivido este ideal redencional desde os primeiros dias de sua organização e até mesmo antes, quando ainda éramos uma congregação. Deus proveu, por meio da fé e do trabalho abnegado de muitos irmãos e irmãs, todas as condições para que nessa graça fôssemos plantados e crescêssemos. Assim nos tornamos o que somos hoje, uma igreja atuante e de grande potencial.
Mas, agora que chegamos até aqui e estamos com 54 anos de Igreja organizada, precisamos olhar adiante e enfrentar os desafios de um mundo que muda a uma velocidade assustadora e uma sociedade brasileira que segue distanciando-se dos valores que nós mais prezamos.
Nosso projeto até 2016 inclui a visão de que, como igreja, precisamos nos preparar para viver a vida cristã em plenitude da proposta redencional de Cristo, ainda que o mundo ao nosso redor caminhe na direção contrária. Para isto, precisamos nos preparar de maneira a tornar a nossa Igreja mais pronta a responder às demandas do mundo moderno, mantendo-se firme à nossa fé bíblica.
O triplo “E” (Estruturar, Educar e Evangelizar) resume as intenções do nosso plano de ação. Em poucas palavras, podemos afirmar que precisamos nos estruturar melhor para servir, conhecer mais a nossa fé para fazê-lo com fidelidade e expandir o reino, por meio de uma agenda de evangelização integral, que envolva a apresentação do Evangelho e o cuidado com o próximo.
Deus está chamando a nossa Igreja para se comprometer de forma mais completa com o Seu projeto pessoal de dar ao mundo uma amostra do Seu Reino. Fazer parte disto é algo bom para você como filho de Deus, para sua família e para toda a sociedade. Participe com comprometimento desta meta. Tudo para a glória de Deus!