domingo, 15 de março de 2026

Brasil - O Primeiro Culto Protestante das Américas

Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha  vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo (Salmos 27.4) - neste texto foi pre-gado um sermão pelo Rev. Pierre Richier, no dia 10 de março de 1557. Esse sermão foi realizado na Baía da Guanabara, no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, em uma pequena ilha, atualmente chama de Ilha de Villegaignon.
Na última terça-feira, dia 10 de março, comemoramos 469 anos deste memorável momento. O Brasil foi o primeiro lugar de toda a América a receber a fé protestante. Muito antes do Mayflower aportar em Cape Cod (Plymonth), em novembro de 1620, naquele 10 de março de 1557, os ministros huguenotes, Rev. Pierre Richier, Guilhaume Chartier, escolhi-dos por Calvino, a pedido do almirante Gaspard Coligny, que atendia a uma solicitação de René Villegaignon, acompanhados por outros 12 reformados franceses, iniciavam um grande projeto de evangelização na América.
Infelizmente, este projeto não seguiu adiante, pois diferenças teológicas entre os calvinistas e o católico General Villegaignon, tornaram impossível a continuidade do empreendi-mento missionário. Richier e Chartier, retornaram para a França, mas, com a permissão de Villegagnon, quatro destes protestantes permaneceram no Brasil: Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques le Balleur.
As tensões entre estes missionários e a liderança  de  Villegagnon  foram aumentando e eles foram persegui-dos pelo General e seus subordinados, tendo sido condenados à morte. Em sua defesa, escreveram um texto maravilhoso, conhecido como Confissão de Fé da Guanabara, a primeira declaração de fé protestante, escrita nas Américas.
Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon foram estrangulados e seus corpos jogados ao mar,  André Lafon, por ser o único alfaiate entre os colonizadores franceses, foi poupado com a promessas de que nunca falaria das suas convicções religiosas. Jacques le Balleur conseguiu fugir dos seus perseguidores e foi se abrigar longe da Baía de Gua-nabara, no que hoje conhecemos como Cidade de São Vicente, litoral de São Paulo. Os índios Tupinambás, o pouparam por que ele estava com um livro em sua bagagem, que os índios do aldeamento, achavam ser a Bíblia, que os jesuítas haviam falado em suas catequeses. Le Baleur pregou seus valores cristãos protestantes na região de São Vicente até que foi capturado, por in-fluência dos padres jesuítas, em 1559 e levado ao Governador Geral, Mem de Sá, que o sentenciou à mor-te, após anos de prisão, em 1567.
Esses acontecimentos da história do Brasil e da fé protestante, nos fazem refletir sobre as lutas que todos nós enfrentamos, quando escolhemos viver por fé e deixar a vida de fé se tornar uma marca da nossa caminhada neste mundo. Ser um dis-cípulo de Jesus, implica em escolher fazer do Reino de Cristo uma priori-dade e um valor tão importante que estejamos dispostos a dar a vida pela nossa fé. O justo viverá por fé!

domingo, 8 de março de 2026

A Fé, o Amor e a Adoração


vida de fé deve se materializar em sinais claros, para que o reino de Deus, construído primeiramente em nossa consciência se torne real e tangível a todos os que nos conhecem e nos vêem caminhando neste mundo.
A "Fé" é um movimento do coração, que descobre a verdade na Revelação Bíblica e, portanto, tem um encontro com o Deus que se revela e deseja ser conhecido. Esse movimento do coração que crê, gera outro movimento do co-ração: o amor.
O "Amor" é o resultado do conheci-mento, quando o coração que conhece constrói um sentimento de afeição pelo objeto do conhecimento que, no caso de Deus é o descobri-mento da verdade sobre o próprio criador. Portanto, o afeto que se constrói neste coração, aproxima o homem de Deus: "Direi ao Norte: ‘Entregue!’ E ao Sul: ‘Não os im-peça de sair!’ Tragam os meus filhos de longe e as minhas filhas dos confins da terra, todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, sim, aqueles que formei e fiz" (Isaías 43.6-7).
A "Fé" e o "Amor", como movimentos do coração, naturalmente se consolidam no ambiente da interioridade da alma, porém, eles se materializam e se tornam visíveis e mensuráveis em nossos atos práticos, entre eles, o ato da "Adoração". A adoração é um resultado direto do conhecimento e do afeto que faz o homem desejar externalizar sua fé e seu amor e, com certeza, é um sinal visível muito importante da vida cristã.
Jesus Cristo menciona essa relação fé, amor e adoração em um episódio marcante da sua vida entre os homens, no dia em que ele foi convidado por Simão para um jantar e uma mulher, chamada "pecadora", ungiu os seus pés com um precioso perfume. Esse texto está registrado em Lucas 7.36-50.
Nesta cena do Evangelho, Jesus, estando à mesa da casa de Simão, é abordado pelo ato da mulher, que chorava, molhando os pés de Jesus com suas lágrimas, enxugando-os com seus cabelos, beijando-lhe os pés e ungindo-os com perfume de alabastro. Essa cena ensejou uma crítica velada de Simão a Jesus, que, conhecendo os pensamentos de Simão, propôs uma parábola sobre um credor que se compadeceu.
Aplicando desta parábola a Simão e aos demais presentes, Jesus faz uma pergunta: "Qual, destes, [dentre os endividados perdoados pelo credor] portanto, o amará mais [ao credor que perdoou]?" (Lucas 7.42). Simão respondeu que aquele que foi muito perdoado, ama mais. Logo, Jesus aplica esse ensino com uma comparação, foca-do no ato daquela mulher: Jesus pondera que Simão não lhe tratou com a mesma atitude da mulher e ele concluiu com a seguinte afirmação: "(...) Por isso, afirmo a você que os muitos pecados dela foram perdoados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa" (Lucas 7.47). Aquele ato de adoração era o sinal visível da sua fé e amor, construí-dos no interior da sua alma e coração. Desta forma, lembre-se, a ver-dadeira adoração está ligada a uma fé verdadeira e um amor verdadeiro.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Eu Não Sou o Cristo!

Não nos surpreende a resposta de João Batista à pergunta dos sacerdotes e levitas enviados pelos judeus para o investigar e inquirir sobre quem ele cuidava ser: "Quem é você?" (João 1.19c). João deixou absolutamente claro: "Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo"(João 1.20). João sabia que era necessário não confundir os papéis. Ele era apenas um mensageiro e o Cristo e Salvador do mundo era outro. João tinha consciência de que sua vida deveria apontar para Cristo e jamais roubar  para si a glória do Senhor.

Eu não sou o Cristo - Algumas vezes, mesmo sem perceber, homens roubam o lugar e a glória de Cristo, quando o assunto é a fé e a vida cristã. O fato de Cristo nos es-colher para sermos os seus mensageiros não deve se transformar em uma armadilha do orgulho, onde passamos a pensar que Ele depende de nós ou que é nossa a glória das obras que Deus faz através de nós.

"O que é que você diz a respeito de si mesmo?" (João 1.22) - aqueles homens insistiram com João, a fim de que ele assumisse ser coisas que não era: Você é Elias? Você é um profeta? João era enfático em responder: "Não sou". Porque João conhecia sua missão e não estava à procurar de glórias humanas, ou posições que não lhe cabiam. Desta forma, João nos deixa uma grande lição: para completar a nossa missão, devemos nos concentrar de forma humilde nos papéis que Deus reservou para cada um de nós. Quando buscamos o que não nos cabe, ou a glória que não nos foi dada, nos perdemos no propósito para o qual Deus nos escolheu. Como resultado, não agradamos a Deus e nem nos realizamos completamente.

Eu sou a voz do que clama no deserto (João 1.23) - João não buscava um ministério para si, mas cumprir o ministério que Deus já havia lhe dado, vestia-se de pele de camelos, comia mel silvestre e gafanhotos e o seu campo era o deserto. João não buscou nenhuma glória e não se omitiu por conta das condi-ções que Deus lhe havia reservado. Naquele deserto, onde João batizava, as multidões conheceu um homem que viveu para cumprir os desígnios de Deus sobre sua vida. Esse deve ser o fator motivador prin-cipal para toda a nossa vida.

Não sou digno de desamarrar as correias das suas sandálias (João 1.27) - João proclama a todos que o seu ministério tinha como maior importância e dignidade o apontar para Jesus Cristo, o Salvador. Desta forma, nos ensina a buscar a mais absoluta e verdadeira relevância para a nossa vida: apontar Cristo! João não está desprezando sua vida quando diz "não sou digno de desamarrar as correias das suas sandálias"; mas nos ensinando que devemos nos sentir gratos de o servir, pois, na verdade, não somos dignos de sermos seus servos. Afinal, a figura do servo que desamarrava os calçados do senhor, para os carregar era uma figura de subserviência, humildade, mas também de confiança, mas João diz: "eu não sou digno de ser esse servo". Esse é um forte ensino sobre a graça, que nos escolhe para tão elevada tarefa de sermos os instrumentos de Deus para que seu filho seja conhecido.