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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Operando no "Modo Amor"

Todo organismo saudável apresenta níveis naturais de crescimento. Espera-se que o desenvolvimento de um corpo vivo se revele na sua capacidade de alcançar maturidade, isto é, empreender algum tipo de crescimento. A Igreja não é diferente, afinal, ela também é um corpo vivo e pode ser acompanhada em termos de seu desenvolvimento, quer numérico ou amadurecimento espiritual e moral.
No entanto, como realmente devemos encarar o crescimento de uma igreja? O que devemos esperar? Será mesmo correto pensar que nada devemos fazer e que o crescimento virá sem nenhuma parcela do trabalho de todos nós? Será que devemos ser mais pragmáticos e promover ferramentas de crescimento, como aumento de eficiência na captação de novos membros?
O apóstolo Paulo parece indicar que a ferramenta do crescimento de uma igreja passa pela capacidade de “operarmos no modo amor”: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef. 4.15-16).
O ideal da maturidade cristã tem um padrão e este é a “verdade”. Ela é quem deve ser o guia do crescimento da igreja em todos os sentidos. Não existe maturidade sem verdade. Até mesmo o crescimento numérico deve ser considerado saudável, quando as pessoas estão agregando-se ao corpo, por causa da verdade, quando esta lhes atrai.
O sinal mais óbvio da operação da “verdade” é o “amor” que ela causa. A Lei de Deus é resumida na palavra “amor”, portanto, toda a verdade nos conduz à prática do amor. Seguir a verdade em amor não está se referindo ao amor que devotamos à verdade, mas o amor que a verdade provoca em nós.
A verdade nos faz amar mais a Cristo e ao próximo, por isso, ela nos leva à uma relação de completa intimidade e obediência ao cabeça, tanto quando nos faz cooperar com ele, através do cuidado e apoio que devotamos uns aos outros.
Esta é fórmula de crescimento que emerge da Palavra da Verdade, a qual afirma que o amor é um alvo da vida cristã. Esse amor de que falamos não significa ausência de imperfeições, mas uma capacidade grande saber trabalhar para que todos sejam aperfeiçoados, afinal, todos somos fracos e falhos. A nossa estratégia é a de saber suportar uns aos outros em amor.

Ao final, mais um alerta:  operar no modo amor, não se trata efetivamente de medir o quanto as pessoas nos amam, mas, primordialmente, do quanto nós amamos e estamos dispostos a deixar-nos amar.

sábado, 9 de julho de 2016

Os Atos do Espírito Santo e a Igreja

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

O relato de Atos dos Apóstolos tem como foco mostrar o desenvolvimento da Igreja de Cristo, após a ascensão do Senhor. Os apóstolos, como os grandes líderes da Igreja, foram as principais personagens desta história.
Rienk B. Kuiper sugeriu que o livro de Atos dos Apóstolos deveria ser chamado de “Atos do Espírito Santo”. Afinal, os “atos dos apóstolos” foram todos realizados porque o poder do Espírito Santo agia na Igreja e nos próprios apóstolos: Todos ficaram cheios do Espírito Santo... (At 2.4a).
A presença do Espírito Santo era o verdadeiro motor do poder espiritual da Igreja. Era a comunhão com o Espírito que dava a Pedro, Paulo, Filipe, Barnabé, Silas e a toda a igreja primitiva o poder para sacudir extraordinariamente este mundo com uma mensagem revolucionária: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui” (At 17.6c).
O Espírito Santo abria corações para ouvir a mensagem (At 16.14); levantava obreiros e os enviava (At 13.2); direcionava o ministério dos apóstolos (At 16.6-9); dava equilíbrio nas decisões (At 15.28); preparava o coração dos pregadores para enfrentar dificuldades (At 20.23) etc.. Podemos dizer que o ministério da Igreja era uma decorrência do ministério do Espírito Santo.
Olhando para este entrelaçamento tão profundo entre a Igreja e o Espírito Santo, refletimos o quanto, em nossos dias, nos falta viver esta atmosfera de proximidade e comunhão. Falamos em avivamento, mas não atentamos para a verdadeira vida no Espírito, queremos crescimento, mas não o buscamos no poder que vem do alto.
Estratégias, modelos de gestão, esteticismo litúrgico, retórica, política etc., não podem substituir e cumprir o papel da perseverança na doutrina, da comunhão, do partir do pão, das orações e da presença do Espírito Santo enchendo, capacitando, dirigindo e mudando nossas vidas e famílias.
Estes atos do Espírito Santo são a força da Igreja: “...não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6). Sem isso, não haverá vida na Igreja e seremos como uma planta morta, com muitas folhas, mas sem nenhum fruto verdadeiro: “...e a figueira secou imediatamente” (Mt 21.19).