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domingo, 14 de agosto de 2016

Presbiterianismo Transformador - de Casa em Casa

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

A grande força do culto e da pregação presbiteriana no processo de conquistar a mente dos brasileiros foi potencializada por uma outra estratégia: “O modo de trabalho era ir de vizinhança em vizinhança, e de casa em casa, pregando, lendo e expondo a Bíblia” (RIBEIRO, 1981, pág 72).
Naqueles dias, não havia templos presbiterianos espalhados nas várias vilas. O governo restringia construções protestantes e o próprio povo ainda tinha muita preocupação com aquele movimento, que achavam que era uma seita. A estratégia missionária de conquistar a mente dos brasileiros foi empreendida por meio de um aproximação pessoal que aconteceu em um forte e constante trabalho de casa em casa.
Quando chegavam a uma vila, à noite realizavam cultos nas casas onde haviam de dormir e durante o dia, iam de casa em casa, sítio em sítio, conhecendo pessoas, lendo a Bíblia e falando de Jesus Cristo. Aos poucos, as pessoas começavam a se familiarizar com as Bíblias que ganhavam e elas próprias propagavam a fé para os seus outros vizinhos: “Os convertidos propagam sua nova fé com ingenuidade, muitas vezes sem premeditação” (RIBEIRO, pág.74). Uma destas ocasiões de evangelismo aconteceu na casa do Sr. Antônio Gouvêa, no vilarejo de Serrinha.
Castilho, certo bandido conhecido naquela região, chegou ao sítio dos Gouvêa e, entrando, encontrou o Sr. Antônio lendo a Bíblia. Apesar de saber de quem se tratava, Sr. Antônio não parou a leitura e disse ao bandido: “Não quero brigas. Quando você chegou eu estava lendo e gostando; imaginei que você também poderia gostar” (RIBEIRO, pág 74).
O temido bandido ouviu a leitura horas a fio, ao final, perguntou se poderia voltar outro dia com a esposa e os filhos para continuar ouvindo. Depois, já convertido,  diria: “Quando fui aquele dia à casa do meu amigo Gouvêa eu era como alguém perdido na mata em noite de tempestade, e sem esperança de achar o caminho; quando ele leu a Bíblia, foi como se um raio de luz brilhasse e comecei a imaginar que talvez houvesse salvação até para mim” (RIBEIRO, pág.75). O evangelismo de casa em casa foi uma importante arma para evangelização do Brasil (Todas as citações foram extraídas de: RIBEIRO, Boanerges; Protestantismo e Cultura Brasileira - Casa Editora Presbiteriana, 1981 - São Paulo,SP).



domingo, 15 de junho de 2014

Capacitados para testemunhar


Autor: Bel Marcos Cleber Santos Siqueira

David Livingstone nasceu na Escócia, em 1813. Quando jovem, decidiu propagar o evangelho na África, tornando-se o maior missionário daquele continente. Anos mais tarde, outros missionários resolveram retomar os caminhos de Livingstone. Quando começaram a falar de Cristo e de Seu amor, foram surpreendidos pelos nativos: “
Nós já conhecemos este homem! Ele viveu aqui conosco!”. “Não é bem isso”, responderam os missionários. "Estamos falando de Jesus Cristo, que viveu há quase dois mil anos”- explicaram os evangelistas. Posteriormente, os missionários ingleses entenderam que Livingstone teve uma vida tão exemplar que foi confundido com o próprio Cristo.
Semelhantemente, somos chamados para sermos testemunhas de Cristo no contexto em que estamos inseridos. Ser testemunha refere-se a uma pessoa que presenciou um acontecimento ou alguém que apresenta um testemunho no qual defende ou promove uma causa. Embora nobre, tal tarefa não é simples, principalmente quando consideramos nossa pecaminosidade. De fato, não conseguiremos sozinhos ser testemunhas fiéis de Cristo. Precisamos mais do que boas intenções, precisamos do poder do Alto.
O que qualificava e impelia os apóstolos a serem testemunhas de Cristo era o poder do Espírito (At 1.8). Tanto o Espírito quanto os apóstolos compartilhavam da mesma atividade, dar testemunho, “o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis...” (Jo 15. 26-27).
Jesus concede ao Espírito Santo o título de Consolador (do grego, parakletos). O termo denota alguém que é chamado para o auxílio ou defesa de outrem. Na cultura da época, em um contexto jurídico, o acusado defendia-se por meio de uma testemunha. Não era necessário que o “advogado” do acusado fosse um profissional altamente treinado, mas alguém que o conhecesse intimamente e o defendesse, alguém que tivesse acompanhado a vida do acusado e pudesse testemunhar, um amigo íntimo.
O Espírito Santo foi o constante companheiro do Filho em Seu ministério, desde o ventre até o túmulo e o trono. Neste cenário, o Espírito é, idealmente, o indicado para ser a principal testemunha em prol de Cristo. O Espírito, que habita em nós, testemunha de Cristo aos nossos corações para que testemunhemos dEle (1Co 12.3).
Aquele que tem o Espírito, tem o testemunho de Cristo em seu coração. Aquele que tem o Consolador, tem a presença bendita do Salvador em seu ser. Aquele em quem o Santo Espírito habita é capacitado com poder para testemunhar do Senhor.