sábado, 20 de janeiro de 2018

Antecedentes da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa - 1955-1957 - Parte 3

O
Arquivo Família Delfini
s anos 40 foram de grande turbulência no cenário mundial e nacional. Na Europa, a Segunda Guerra Mundial e no Brasil as turbulências do fim do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Na virada da década, com o retorno ao poder Getúlio procurava fazer justiça à sua popularidade até que em 24 de agosto de 1954, desferiu um tiro contra o próprio peito, assumiu o governo o potiguar Café Filho, um presbiteriano, que em um ano seria substituído pelo mineiro Juscelino Kubitschek.

O trabalho dos presbiterianos na Vila Formosa foi iniciado em meio a toda essa grande turbulência mundial e nacional, mas nem as bombas na Europa ou as lutas políticas brasileiras, impediram o avanço e progresso da animada congregação, como afirmou o Rev. Daniel Mariano da Silveira, quando dizia haver “provas incomuns de que o Espírito Santo estava dirigindo a Congregação”. Mas, do mesmo modo a Congregação também sofria suas crises em meio às lutas.

Após alguns meses fora, o presbítero Dolivar Delfini retomou suas atividades na Congregação da Vila Formosa. Os irmãos sonhavam e lutavam para dar início à construção do seu templo. Em novembro de 1955, o Presb. Dolivar foi nomeado pelo Conselho da Igreja do Brás e decidiu mudar-se com a família para o bairro, onde já possuía um comércio. Neste tempo, ajudava no trabalho um jovem seminarista, Efigênio Alves, que era sustentado pela família do irmão Aristides Matos e foi um ano de franco de crescimento quando outros nomes começaram a participar da liderança da Congregação, entre eles, o citado Aristide P. Matos, Mario Rodrigues de Sá, Paulo Mascelani e Vitoriano Gomes, Benjamim Garcia e Gerson Pereira da Silva e mulheres que se tornaram chaves para esse de
senvolvimento, entre elas, as irmãs Berenice Batista e Amarilda Barreto Alves, que desenvolviam importante trabalho com as crianças.

Em abril de 1956, a Congregação realizou uma série de Conferências e para isto convidou o prestigiado pastor presbiteriano Júlio Andrade Ferreira para ser o palestrante. Estas reuniões foram de grande inspiração para os membros da Congregação e despertaram os crentes para o trabalho, dando grande impulso a um trabalho que havia iniciado um ano antes, o Conjunto Coral, cujo maestro era o irmão Eurípedes Rodrigues de Carvalho.

Todo esse ânimo fazia crescer a ambição de construir o templo e junto com isso cresceu o primeiro grande problema entre os irmãos. O Presb. Dolivar, líder do trabalho, não concordava com a construção naquele terreno íngreme e em lugar tão desfavorável. Isso gerou certo incômodo e alguns irmãos pediram demissão de seus cargos na Comissão de Administração e uma crise se anunciou.


Depois de algumas reuniões e conversas, os irmãos decidiram adiar a construção do templo, pedindo ao conselho da Igreja do Brás que autorizasse a Congregação a procurar outro terreno. Em junho de 1957, o Conselho autorizou e aparentemente, o ímpeto se esfriou um pouco. Mas, como veremos na próxima semana, só aparentemente, porque a notícia da compra do novo terreno deu um novo impulso no propósito daqueles irmãos e irmãs que não desistiriam de viver para o Rei.

(Fontes: Livro I das Atas do Conselho da IP Vila Formosa; Relato pessoal do Presb. Dolivar Delfini - Arquivo da Família Delfini; Livro de Atas da Comissão Administradora da Congregação). 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Antecedentes da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa - 1951 a 1954 – Parte 2

Início das obras do Santuário 1946 - Inauguração 1950
Foto do Arquivo da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração
Na década de 40, a Vila Formosa era um bairro considerado iniciante.  Os advogados Dr. Sampaio Vidal e Dr. Eduardo Cothing, diretores da Cia Melhoramentos do Brás, eram os responsáveis pelo loteamento e procuravam meios para viabilizar o seu projeto e trazer mais atenção para a região. O primeiro grande sinal de desenvolvimento foi notado na segunda metade da década de 40, quando a Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, começou a construção do grande santuário no final da Avenida 1 (atual Av. Dr. Eduardo Cothing, que foi inaugurado em 1950, um ano depois da abertura para uso do Cemitério da Vila Formosa (Jornal Estado de São Paulo em 30/11/2015).

Neste ambiente de desenvolvimento, a jovem Congregação Presbiteriana Vila Formosa também estava se desenvolvendo. Em 1951, liderados pelo Presb. Dolivar Delfini e o jovem Benedito Rodrigues de Carvalho, além dos experientes Delfino e o Diác Azarias, a Congregação começou a empreender um ousado projeto de consolidação, a compra do terreno. A esta altura, já se sustentavam com os recursos próprios e decidiram alugar um salão na praça Sampaio Vidal, 65, embora fosse um terreno com declive acentuado para o fundo e a congregação ficasse escondida.

Em 09 de março de 1952, o Conselho do Brás elegeu o irmão Dolivar Delfini ao presbiterato e juntamente com ele outros 13 irmãos, entre eles o irmão Rids Xavier de Castilho, que mais tarde ajudaria muito à Congregação. Por circunstâncias profissionais, em dezembro 1953, o Presb. Dolivar teve de se mudar para o interior de São Paulo (Marília) e em seu lugar liderou a congregação e a representou junto ao conselho o irmão Diác. Azarias Silvério Costa.

Sob a liderança do Diác Azarias, nos primeiros meses de 1954, os irmãos tomaram a decisão de comprar a propriedade da Congregação e foi um dos mais ousados empreendimentos daquele aguerrido grupo. O Conselho do Brás decidiu organizar uma comissão administrativa para a Congregação, que passou a conduzir o trabalho e o terreno foi comprado junto com cinco milheiros de tijolos.

Um livro de Atas desta comissão foi preservado e nele estão registrados os atos de cuidado pastoral com a Congregação, nomeação de professores para a Escola Dominical e determinação da escala diaconal, além de pregações nos cultos. Entre os registros da primeira ata desta congregação encontramos a seguinte decisão: “Estuda-se a possibilidade de criar pontos de pregação de

evangelização nos diversos pontos do bairro, fiando os mesmos a serem realizados aos domingos em casa das pessoas que os solicitar”. Isto mostra a fé e coragem daqueles homens e mulheres, que já contavam com uma Sociedade Auxiliadora Feminina – SAF e uma União de Mocidade Presbiteriana – UMP.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Antecedentes Históricos da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa - 1942-1950 - Parte 1

Linha de ônibus Vila Formosa-Lgo Passaindu - 1942
(arquivo do Sr. Rogério de Moura - cineasta)
"Sob a égide do Sr. Delfino de Oliveira, da Sra Branca Sampaio de Souza e Balduíno Sampaio d eSouza nasceu esta Congregação no dia 22 de novembro de 1942. A primeira Escola Dominical reuniu-se na casa da Sra Branca, na antiga Rua 8 e o primeiro culto realizou-se em casa do Sr. Delfino de Oliveira. Foi deveras promissor o início da novel congregação, visto que mais de 80 pessoas estiveram presentes à primeira reunião" - foi assim que o Rev. Daniel Mariano da Silveira, primeiro pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa, começou a Ata Histórica do Livro 1 do Conselho da IPBVF.
O Conselho da IP Brás tomou conhecimento de que estas reuniões estavam acontecendo por iniciativa dos membros da própria igreja e, no mês de dezembro daquele ano, decidiu organizar um trabalho naquele nascente bairro, chamado Vila Formosa.
Naquele ano, pastoreava a Igreja do Brás o Rev. Paulo Pernasseti, o qual conduziu o Conselho na decisão de alugar uma casa na Rua 8, para instalar e fazer funcionar uma Congregação Presbiteriana. O irmão Delfino foi nomeado orientador do trabalho e da comissão de visitas, além de se tornar o primeiro zelador da congregação em dezembro de 1942. A Sra Adília de Oliveira liderou a primeira campanha financeira para ajudar a congregação em dezembro de 1942, tendo como finalidade a compra de uma árvore de Natal e a aquisição de presentes para as crianças.
No ano seguinte, o Rev. Alfredo Tone Steim assumiu a condução da IP do Brás e muito incentivou os irmãos da Vila Formosa no seu trabalho. Além dele, um grupo de homens da Sociedade Missionária Rev. Álvaro Reis (esta sociedade seria o equivalente à UPH - União Presbiteriana de Homens) foram os principais responsáveis pelo fomento do trabalho, pois se tornaram os financiadores da Congregação da Vila Formosa, ajudando na manutenção do aluguel do imóvel.
Alguns anos se passaram e a pequena congregação tinha vinte membros regulares que assistiam ao trabalho, liderados pelo Sr. Delfino de Oliveira e pelo carismático Diácono da IP Brás, Sr. Azarias Silveira Costa.
Em 1950, um jovem chegou à também jovem Congregação e logo se tornaria um dos grandes promotores do trabalho, trata-se do Sr. Benedito Rodrigues de Carvalho, que veio para a congregação com a sua família, pai, mãe e irmãos. Nesta mesma época, outro cristão exemplar mudou-se para o bairro, fixando o seu comércio na região, o Presb. Bolivar Delfini, cuja família muitos bons serviços prestaria à causa presbiteriana em Vila Formosa.
Foi assim, com simplicidade, coragem e muito amor, que a IPBVF começou a sua jornada de viver para o Rei. 

(Fonte: LIvro de Atas do Conselho - Volume I - Ata Histórica; Livro de Atas da Comissão de Administração da Congregação; Texto pessoal do Sr. Presb. Dolivar Delfini, depoimento colhido pela família).


domingo, 2 de julho de 2017

Superando Diferenças e Ganhando Irmãos

Entre as lições mais necessárias do Evangelho está a necessidade de superação diferenças para a vida comum na graça e o chamado do apóstolo Paulo é um dos bom exemplos bíblicos.
Primeiramente, o próprio Paulo precisou enfrentar a si mesmo e sua visão de mundo, porque era um fariseu dedicado na sua fé e, precisou renunciar suas certezas quando encontrou-se verdadeiramente com Cristo: “Porque ouvistes qual foi o meu procedimento outrora no judaísmo,como sobremaneira perseguia eu a Igreja de Deus e a devastava” (Gl 1.13). Renunciar a si mesmo e abandonar certezas pessoais diante da verdade de Cristo foram atitudes de coragem e limpeza moral que somente a graça pode operar no ego humano.
Quando ele se tornou um pregador da fé que perseguia, foi a vez da igreja ter de renunciar a si mesma. Eles precisaram receber seu novo irmão sem ódio ou animosidade no coração: “Ouviam somente dizer: aquele que, antes, nos perseguia, agora, prega a fé que, outrora, procurava destruir. E glorificavam a Deus a meu respeito” (Gl 1.23-24). Esse quebrantamento e congraçamento entre perseguidor e perseguidos foi um resultado singular da obra da graça no seio da comunidade da fé.
Por fim, agora, andando juntos, gentios e judeus, precisaram receber-se mutuamente como irmãos. Os judeus, em particular, raiz primeira da igreja, precisaram esforçar-se por compreender que sua fé e seus ritos foram superados pela obra da graça operada por Deus e a circuncisão, uma das marcas mais profundas da relação da nação judaica com Deus, um dos seus símbolos identitários mais preciosos deveria ser superado, porque a graça de Deus os chamou para uma fé mais ampla e universal. Naquele momento, eles precisaram renunciar a si mesmos: “(...)quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão” (Gl 2.9).
Aqui estão apenas algumas das lições da graça sobre como Deus deseja que aprendamos a viver em comunhão, superando diferenças, por causa da verdade de Cristo. O orgulho, baseado somente em nós mesmos, não é um modo sábio de conservar a fé. Ele precisa se iluminado pela clareza da verdade de Cristo que produz sabedoria e verdadeira nova vida.
O Evangelho prospera em nós quando nos capacita a superar dificuldades e diferenças para servir a Cristo. Precisamos lutar pessoalmente para ver o outro a partir de Cristo, recebê-lo como servo do Senhor e dispor-nos para andar juntos, por que Cristo anda conosco.  A igreja ganha quando nós aprendemos perder para servir a Cristo e nós ganhamos irmãos.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Dia de Pentecostes, os últimos dias e a Igreja

Em geral, cristãos evangélicos valorizam duas grandes datas da fé cristã: natal e páscoa. Claramente, estes dois momentos fundamentais da História da Redenção recebem a grande atenção de nossas liturgias e expectativas. Por isso, não é incomum que sejam datas comemoradas, com musicais, cultos especiais e outros eventos de destaque.
Cinquenta dias após a páscoa, isto é, depois da morte de Jesus, os discípulos estavam reunidos em um mesmo lugar (At 2.1) e era o Dia de Pentecostes (Lv 23.15-21). De repente, um som veio do céu, um vento impetuoso tomou conta do lugar (At 2.2) e línguas, como de fogo pousaram sobre cada um deles (At 2.3) e Deus marcou sua igreja com o sêlo do Espírito Santo (At 2.4).
O Dia de Pentecostes, embora fique um tanto esquecido na liturgia evangélica, marcou o início de uma nova era da História da Redenção, pois inaugura o tempo em que Deus escolheu ampliar as tendas da salvação a todas as nações, quando derramou seu Espírito, cumprindo a promessa de dar à sua igreja o poder para testemunhar: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1.8).
Pedro, cheio do Espírito, levantou-se dentre todos aqueles que recebiam o dom do Espírito e explicou o que estava acontecendo ali: “Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito (...)” (At 2.16-17).
O Pentecostes foi o início do tempo que as Escrituras chamam de “últimos dias”, isto é, a última etapa da presente era, até que seja encerrada a luta contra todos os inimigos de Cristo e finalmente venha sobre todos nós a era final, a eternidade (1Co 15.24-26).
Dado, de uma vez por todas à Igreja, o Espírito Santo é o sêlo da presença de Deus e do governo de Cristo na Igreja (Ef  1.13-14). A habitação do Espírito Santo habilita a igreja a testemunhar e a realizar todo o ministério da vida cristã (1Co 12.1-11). O Espírito Santo é quem conduz a Igreja pela presente era, a fim de que crentes sejam verdadeiros servos a trabalho do reino (2Co 3.17-18).
Estes “últimos dias”, iniciados naquele “Dia de Pentecostes”, são, portanto, os dias que apontam para o Governo de Cristo sobre todas as coisas, tornado efetivo primordialmente na vida da Igreja, que é o seu corpo (Ef 1.22-23). Nestes últimos dias, são os filhos e filhas de Deus que fazem a sua obra e revelam ao mundo que “Deus Reina” e, por isso, Pentecostes é também o dia da Igreja e um dia para a consagração ao serviço de Deus.