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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora (Parte 5)

Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus (Romanos 8.8) - um dos temas mais repetidos na Bíblia é a busca de viver para o inteiro agrado do Senhor (Cl 1.10). Mas, o que lemos em Romanos é que o viver na carne é uma barreira para essa busca.

O discipulado bíblico é uma ferramenta de luta contra o predomínio do viver na carne sobre a existência do filho de Deus. Discipulamos pessoas com o alvo de que elas alcancem a graça de agradar a Deus.

Uma Igreja Discipuladora acredita na experiência coletiva de um povo que vive de um modo que alegra o coração do Pai e, por isso, nosso esforço discipular tem este alvo: que cada crente viva a experiência de sentir que sua vida agrada ao Senhor.

"Viver na Carne" - como a afirma Paulo na carta aos Romanos, tem uma intenção que vai além de simplesmente afirmar a existência de um comportamento pecaminoso. Paulo está falando de uma intencionalidade de vida, focada em exitir para este mundo, mais que para Deus. Tem a ver com um propósito existencial que não está focado na direção de viver para Deus.

Quando toda o seu planejamento de vida perde de vista a realidade da presença de Deus como fundamento do amor que vai no seu coração, todas as coisas passam a girar em torno de outros interesses e, por isso, a sua capacidade de viver para agradar a Deus é, no mínimo,  reduzida, mas  pode  ser facilmente destruída.

Os que vivem segundo a carne se inclinam para as coisas da carne (Rm 8.5) - o discipulado cristão é a busca de uma ferramenta de ajuda para redirecionar o coração do discipulando na direção de Deus. Fazendo com que sua visão da vida se foque no propósito de existir para a Presença de Deus. Neste sentido, devemos nos conscientizar que esse é um processo de amadurecimento da nossa relação com a vida e com tudo o que nos cerca, o que implica em reconhecer dificuldades e erros no processo.

Uma vez identificados dificuldade e ou erros, precisamos lidar com as ferramentas de ajustes, como a oração, o arrependimento, a confissão e a consagração. Portanto, aquele que discipula outrem, tem compromisso com uma nova vida e não pode concordar com o erro e ou desvio. Discipular é ajudar o outro a viver na direção de Deus, para o seu inteiro agrado.

Primeiramente, pense em você, sobre o quanto você já acertou o caminho da espiritualidade. Em segundo lugar, pense naqueles que estáo sob os seus cuidados discipulares, eles já sabem o caminho, ou ainda estão vivendo longe da presença de Deus?

sábado, 18 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 2

Ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês" (Mateus 28.20) O texto da grande comissão deixa claro que a nossa relação interpessoal discipular tem uma natureza pedagógica. Portanto, servimos, uns aos outros como instrumentos do ensino da Palavra.

Primeiramente, pensemos sobre o que é o ensino que a Bíblia apresenta no contexto desta passagem. E o primeiro ponto é fazer uma distinção, entre o ensino doutrinal e o ensino vivencial. Eles caminham juntos e um não se sobrepõe ao outro, mas se complementam.

O ensino doutrinal é aquele que me leva ao conhecimento da doutrina e do plano de Deus para a humanidade. O ensino vivencial é aquele que me ajuda a aplicar o primeiro, de forma prática, materializando o que o meu coração aprende na doutrina.

Por exemplo, pensemos na lição que Jesus nos deu ao resumir a lei em dois mandamentos: Jesus respondeu: "Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu entendimento." E: "Ame o seu próximo como você ama a si mesmo." (Lc 10.33) - Jesus tem uma intenção doutrinal, ao estabelecer claramente como o decálogo deve ser compreendido. Mas, logo a seguir, ele conta a famosa parábola do Samaritano, que aplica de modo prático esse conhecimento doutrinal.

A Igreja é um corpo de discípulos em constante transformação e crescimento. Esses fenômenos da vida cristã acontecem por meio de um processo pedagógico, estabelecido em dois polos: a doutrina e a vida.

Nossa Igreja deve desenvolver, cada vez mais, o seu gosto e anseio pelo conhecimento da Palavra. A doutrina deve ocupar lugar especial em nossa maneira de viver o Cristianismo, como sei que muito já se tem empreendido neste sentido em Fall River.

Por outro lado, esse conhecimento tem de se materializar em nossas ações de comunhão uns com os outros na família e na Igreja, mas também com os de fora, que ainda não conhecem a Cristo. Portanto o convívio também deve ser um componente importante da nossa condição de Igreja de imigrantes.

Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

(continua no próximo...)

 

 

sábado, 11 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 1

 Amados irmãos, Deus tem nos motivado a pensar em uma jornada de fé em Fall River e, cada vez mais, sinto-me convencido da necessidade de vivermos um tempo de aprendizado discipular.

Depois de 24 anos de ministério pastoral, vivenciando muitos desafios e lidando com as dinâmicas de igrejas, concluo que há algumas coisas imprescindíveis para qualquer projeto ministerial e, uma destas coisas é o "desenvolvimento de uma cultura eclesial de crescimento, por meio do discipulado".

Nosso projeto de trabalho pastoral, nestes primeiros cinco anos de ministério na CTK-FR, com a graça e permissão de Deus, será focado no desenvolvimento deste ambiente discipular.

Desejamos iniciar esse movimento discipulador com os oficiais da Igreja, passando por diversas outras lideranças, grupos de famílias, faixas etárias, especialmente, jovens, adoles- centes e crianças, além do discipulado geral para o trabalho e o serviço da igreja na sociedade.

Jesus nos disse: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações" (Mateus 28.19) - Essa ordem de fazer discípulos implica em uma ação intencional de construir uma relação interpessoal de crescimento e estímulo ao convívio. Entendemos que a Igreja, enquanto segue a sua jornada neste mundo, precisa aprender a se tornar um lugar de convivência, visando o compar-tilhamento de fé e maturidade cristã. Nenhum crente é uma ilha e nenhum é menos importante. Somos como um arquipélago, isto é, somos conhecidos por nomes individuais, mas também por nossa unidade coletiva.

"Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mateus 28.19b) - Jesus também enfatiza que, essa relação interpessoal e intencional de crescimento, deve ter um foco institucional, visando a nossa unidade eclesial e força da nossa comunidade de fé.

Devemos fortalecer a nossa relação como o povo de Cristo, interagindo com o seu senhorio sobre nossa vida, de maneira orgânica e organizacional. Isso está presente na fórmula do batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (continua na próxima semana).

Rev. J. Mauricio P. Nepomuceno

domingo, 21 de julho de 2024

Glorificando a Deus na Igreja

Como todos os leitores assíduos da Bíblia, eu passo por diversos textos algumas vezes e, de repente, uma expressão, um verso, uma história me chama a atenção de uma forma diferente. Hoje quero compartilhar como soou diferente para mim a leitura do texto em Efésios 3.21: “...a Ele seja a glória, na Igreja e em Cristo, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”

A expressão deste texto que me chamou a atenção de forma diferente é: “...a Ele seja a glória, na Igreja...”. Sem nenhuma dúvida posso admitir com tranquilidade que a Glória de Deus em Cristo é algo tranquilo de se compreender, mas me chama a atenção que o pensamento de Paulo sobre a Igreja é de uma elevada estima, a ponto de propor que a glória de Deus na Igreja esteja, em alguma medida, paralela à glória de Deus em Cristo.

A Carta aos Efésios é uma carta eclesiológica. Ela trata de forma especial a visão dos crentes de Éfeso sobre o significado e lugar da Igreja nos planos eternos de Deus: “E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo e a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1.22-23). Sem dúvida alguma esse verso já nos mostra a importância da Igreja no plano eterno de redenção.

A Ele seja a glória, na igreja e em Cristo - Cristo e a Igreja estão unidos em um único propósito eterno, restaurar o ciclo da glória, que foi criado por Deus para se fechar no coração do homem, quando este, está habilitado a viver no mundo de Deus em um encontro verdadeiro, contínuo e profundo com o Cristo. Este encontro é cheio de alegria e desfrute, alegrando o homem e alegrando Deus na sua Criação.

Por todas as gerações, para todo o sempre - Um compromisso que deve ser empreendido em nossa atual existência, ainda sob a presença do pecado, como um compromisso da Igreja de prover gerações de filhos do Senhor para reconhecerem a sua glória. Estes filhos são chamados a experimentar uma antecipação da própria eternidade, onde, quando já estivermos livres do pecado, continuaremos no processo de dar glória a Deus.

A Igreja, portanto, no presente e no futuro eterno, tem a missão de viver para glorificar a Deus!

sábado, 6 de julho de 2024

Construa Uma Visão Bíblica do Conceito de Igreja

Uma das principais transições conceituais da Palavra de Deus é o importante significado do Templo no Antigo Testamento para a sua incorporação no conceito de “Corpo de Cristo” no Novo Testamento. Em sua revelação progressiva, Deus desejou construir uma mentalidade conceitual sobre o que é o seu povo com a finalidade de nos fazer compreender a nós mesmos, quem somos e como devemos nos ver e construir para Deus. 
A sombra conceitual do Antigo Testamento, apresentada na figura do Templo, nos faz compreender o Corpo Vivo de Cristo, que é a Igreja, como um processo a ser construído em nossa relação. A Igreja não é algo pronto e imediato, que acontece a despeito da minha vontade e da minha participação. Assim como o Templo é construído, a Igreja também o é. 
Nos dias de Davi, quando Israel foi incumbido de construir um Templo a Deus, para substituir o Tabernáculo móvel do deserto, a Casa seria instalada majestosamente no Monte Sião e o povo deveria se esforçar para oferecer recursos para essa construção e este foi um dos momentos mais felizes do povo de Israel que se esforçou em ver este plano realizado, concretizando-se nos dias de Salomão: “O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente, porque de coração íntegro fizeram ofertas voluntárias ao Senhor” (1Cr 29.9). Já nos dias do profeta Ageu, quando os alicerces do Templo são lançados, um contraste interessante é apresentado, pois há um completo desinteresse com a Casa de Deus: “Acaso é tempo de vocês morarem em casas luxuosas, enquanto este templo permanece em ruínas?” (Ag 1.4).  interesse 
Tudo isso nos é apresentado no Antigo Testamento para construir uma mentalidade Cristã no Novo sobre o que é e qual a importância da minha relação com o Corpo de Cristo. Portanto, façamos uma reflexão sobre sobre qual dos dois momentos bíblicos, melhor representa o modo como nos relacionamos com a Igreja atualmente? Valorizamos ou desprezamos? Nos dedicamos ou abandonamos? Priorizamos ou deixamos em segundo plano? 
Verdadeiros adoradores, que o adorem em Espírito e em Verdade, serão encontrados entre aquele que conseguiram transitar do conceito estático de um templo físico para a ideia orgânica de um Templo Vivo, que se constrói com amor e dedicação, assim como podemos fazer, quando estamos construindo uma casa física para abrigar o Povo de Deus. 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Um Só Rebanho e Um Só Pastor

A linguagem ilustrativa é uma arte. Usar figuras para ensinar é um método muitíssimo eficaz, pois a mente humana foi criada para imaginar, isto é, dar significado e utilidade à imagens cognitivas construídas para interpretar a realidade que nos cerca.

Deus nos revelou a Verdade a respeito de si mesmo por meio destas imagens, que faz impregnar em nossa mente: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1). O salmista afirma que não há linguagem formal, senão aquela que se deixa ver, as imagens das coisas criadas, nos revelando o Criador das coisas.

Muitas imagens são utilizadas na Bíblia Sagrada e transportadas para o nosso universo de conhecimento para nos ajudar a compreender a Verdade da realidade e uma destas imagens é a figura do “pastor de ovelhas”.

“O Senhor é o meu pastor e nada me faltará” (Sl 23.1) - O pastor de ovelhas é a figura campesina, própria da época bíblica em que vivam os profetas e reis de Israel. Eles representavam muito bem, a figura de cuidado, liderança, exemplo e proteção que Deus queria que o povo aprendesse a respeito dEle próprio e daqueles que Ele escolhia para andarem à frente do povo.

Embora a Bíblia tenha sido escrita ao longo de quase dois mil anos, a figura jamais deixou de ser importante e, até aos dias de hoje, graças à própria Bíblia, continua gerando o conhecimento necessário para que vivamos e desfrutemos de um abençoado relacionamento com Deus e com sua santa providência.

Jesus atribuiu a si mesmo a imagem do pastor: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Assim, Deus deixa o patente desejo de nos conduzir pela vida, levando-nos pelos mais seguros e abençoados caminhos verdejantes, onde a justiça e o amor são as experiências comuns (Sl 23.1-3). O contraste que Jesus aplicou à ideia de um pastor bom é o do mercenário, alguém cuja finalidade não é o cuidado do rebanho, mas o egoísmo, pois é movido pela ganância e a covardia. Em face do perigo,  deixará o rebanho sem proteção (Jo 10.12-13).

O Bom  Pastor, por sua vez, está ali, mesmo que seja um vale de morte (Sl 23.4) para dar a própria vida para salvar seu rebanho (Jo 10.15). Ele faz isso porque há comunhão entre ele e suas ovelhas: “...então, haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10.16). Esse é mais elevado amor que existe, aquele em que o Pastor e a ovelha se tornam um só corpo, como um casamento. Eles vivem juntos para sempre, onde está um, está o outro também (Sl 23.6).

Jesus nos pastoreia exatamente para essa comunhão eterna, que nos faz ver a vida do seu modo e nos leva a vivenciar a sua presença constante. Para este pastoreio, Cristo usa a Igreja e, através de cada um de nós, mantém o seu cuidado, proteção e amor. Somos os braços, a voz, a vara e o aconchegante colo do Bom Pastor, uns para os outros. Neste ano de 2021, o Pastoreio do Rebanho será a nossa comida e a nossa meta como Corpo de Cristo. Participe disto conosco!

Autor: Rev. Maurício Nepomuceno


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A Igreja do Rei - A Qual Ele Comprou...

Rev. J.Mauricio P.Nepomuceno

O apóstolo Paulo chamou aos presbíteros de Éfeso e, em palavras preenchidas por profunda afetuosidade, lhes recomendou: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).
Uma visão clara do que é a Igreja é fundamental para que saibamos lidar com esta realidade do modo como Deus quer que lidemos com ela.
A qual ele comprou – o apóstolo convocou os presbíteros a pastorearem a Igreja, lembrando que ela é resultado do penoso trabalho da alma do Servo do Senhor (Is 53.11). Para Paulo, deve ficar muito claro para quem lida com a realidade da Igreja que nosso Rei que foi morto para que sua Igreja viesse a existir. Portanto, a Igreja é resultado do mais caro e precioso sacrifício e não pode ser tratada apenas como uma organização humana comum, ou uma questão de gosto ou propriedade pessoal, nem segundo as conveniências e interesses particulares.
Deus Pai sacrificou seu Filho pela Igreja e, por ela, Deus Filho, deu a sua vida.  O ato existencial de “ser igreja” deve ocupar lugar de prioridade e interesse em nossos processos de vida diária. Menos que isso é um modo de desprezo ao próprio Cristo. Você consegue compreender a importância disto?
Você, como igreja de Deus, trata a sua própria vida nessa perspectiva? Você olha para o seu irmão de fé e o vê como aquele por quem Cristo deu a vida? De perguntas assim simples, podemos pensar em profundas e importantes implicações práticas sobre o que estamos fazendo com aquilo que Cristo comprou para si.
O modo como você lida com essa verdade será traduzido no seu amor e cuidado com a Igreja, pela qual Ele deu o melhor. Por isso, aqui na IP Tatuapé, precisamos começar um período de oração pedindo a Deus que nos ajude a cuidar melhor de nós mesmos e do que Ele espera que sejamos como sua Igreja comprada com o seu sangue.
Quando este valor realmente for percebido e compreendido em nossas mentes, começaremos um virtuoso período de cuidado e desenvolvimento para nossa Igreja, como rebanho de Cristo, como uma joia da coroa do Senhor.
Neste ano de 2019, esse será o nosso tema geral: “A Igreja do Rei”. Desejamos aprender sobre a natureza dessa preciosa condição e viver de forma que agrade ao nosso Rei.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O Natal de Jesus e o Ide Por Todo o Mundo

Vimos a sua estrela  no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2.2)- foi assim que os magos souberam do nascimento de Jesus; “Um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles” (Lc 2.9) - esta foi a maneira como os pastores tomaram ciência do nascimento de Jesus, quando a miríade celestial cantou a glória de Deus aos homens; “O que vem depois de mim, contudo, tem a primazia, porquanto já existia antes de mim” (Mc 1.15) - este era o modo como um profeta deu conhecimento às multidões peregrinas nos desertos sobre a chegada do Messias. 
O que há de comum nestes relatos? Eles nos mostram o poder de Deus intervindo na realidade do homem para fazer cumprir a sua vontade e trazer ao mundo o Salvador. Desta forma, meus amados irmãos, todos podemos dizer que a Salvação dos filhos de Deus não foi apenas uma tentativa bem sucedida de resgate, mas o resultado esperado de um plano, executado não na força do homem, mas no poder sobrenatural de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).  
Este é o ponto central dessa nossa meditação, isto é, pensar sobre o fato de que Deus planejou e realizou o ato da salvação dos seus filhos. Mas não somente isso, devemos pensar que todos estes atos sobrenaturais, mediados pelo uso de estrelas, seres celestiais ou mesmo profetas, não eliminaram o simples uso de homens de carne e osso como nós. 
Pense que estes textos, embora contenham elementos de sobrenaturalidade evidente, eles também incluem a participação peculiar de homens, quer magos, vindos do Oriente, pastores que apenas apascentavam seus rebanhos na vigília da noite, ou um homem, nascido de mulher, cuja missão o levava a viver nos desertos e comer gafanhotos e mel. 
A gloriosa história da Salvação dos filhos de Deus, revela a instrumentalidade humana e a decisão de Deus de fazer uso dela. Todos sabemos que  o Salvador foi um filho prometido desde Gênesis 3.15. Dali, em diante, foi a instrumentalidade das famílias e das pessoas, as genealogias de Jesus são uma demonstração desse fato.
Homens são salvos, quando Deus move homens para isso. Essa é uma lição que precisamos relembrar no Natal. Não podemos esperar que as pessoas sejam alcançadas ou que Cristo venha aos seus corações, sem que nós, sejamos os mensageiros e anunciadores desse Evangelho. Natal é a celebração da vinda de Cristo e o Ide da Igreja anunciadora dessa a Mensagem. Os Evangelhos começam com o Natal e encerram sua mensagem no Ide.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Dia de Pentecostes, os últimos dias e a Igreja

Em geral, cristãos evangélicos valorizam duas grandes datas da fé cristã: natal e páscoa. Claramente, estes dois momentos fundamentais da História da Redenção recebem a grande atenção de nossas liturgias e expectativas. Por isso, não é incomum que sejam datas comemoradas, com musicais, cultos especiais e outros eventos de destaque.
Cinquenta dias após a páscoa, isto é, depois da morte de Jesus, os discípulos estavam reunidos em um mesmo lugar (At 2.1) e era o Dia de Pentecostes (Lv 23.15-21). De repente, um som veio do céu, um vento impetuoso tomou conta do lugar (At 2.2) e línguas, como de fogo pousaram sobre cada um deles (At 2.3) e Deus marcou sua igreja com o sêlo do Espírito Santo (At 2.4).
O Dia de Pentecostes, embora fique um tanto esquecido na liturgia evangélica, marcou o início de uma nova era da História da Redenção, pois inaugura o tempo em que Deus escolheu ampliar as tendas da salvação a todas as nações, quando derramou seu Espírito, cumprindo a promessa de dar à sua igreja o poder para testemunhar: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1.8).
Pedro, cheio do Espírito, levantou-se dentre todos aqueles que recebiam o dom do Espírito e explicou o que estava acontecendo ali: “Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito (...)” (At 2.16-17).
O Pentecostes foi o início do tempo que as Escrituras chamam de “últimos dias”, isto é, a última etapa da presente era, até que seja encerrada a luta contra todos os inimigos de Cristo e finalmente venha sobre todos nós a era final, a eternidade (1Co 15.24-26).
Dado, de uma vez por todas à Igreja, o Espírito Santo é o sêlo da presença de Deus e do governo de Cristo na Igreja (Ef  1.13-14). A habitação do Espírito Santo habilita a igreja a testemunhar e a realizar todo o ministério da vida cristã (1Co 12.1-11). O Espírito Santo é quem conduz a Igreja pela presente era, a fim de que crentes sejam verdadeiros servos a trabalho do reino (2Co 3.17-18).
Estes “últimos dias”, iniciados naquele “Dia de Pentecostes”, são, portanto, os dias que apontam para o Governo de Cristo sobre todas as coisas, tornado efetivo primordialmente na vida da Igreja, que é o seu corpo (Ef 1.22-23). Nestes últimos dias, são os filhos e filhas de Deus que fazem a sua obra e revelam ao mundo que “Deus Reina” e, por isso, Pentecostes é também o dia da Igreja e um dia para a consagração ao serviço de Deus.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Contra as forças espirituais do mal

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

"Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais"
 (Efésios 6.12). Para o apóstolo Paulo, o crente deveria ter uma noção clara sobre a realidade de um mundo não material maligno.
Pedro, por sua vez, fez referência a este conceito ao afirmar o assédio contínuo do Diabo (1Pe 5.8). E João, em Apocalipse, deixou claro que houve uma grande batalha entre os exércitos de Deus e espíritos malignos (Ap 12.7-8).
As Escrituras afirmam a existência de uma realidade maligna, não material, invisível, cuja atividade central é opor-se ao Reino de Deus e, naturalmente, à Igreja de Cristo no mundo (Ap 2.10). A questão que levantamos nessa reflexão não é se devemos ou não crer nisso. O que nos perguntamos aqui é: como devemos reagir?
O ensino bíblico sobre a questão do mal e da existência de seres malignos os demônios é que eles não representam um poder maior ou igual ao de Deus.  A suposta oposição que fazem ao Reino de Deus não é uma resistência entre iguais. As Escrituras ensinam que Deus é o Senhor de todas as coisas e até os demônios se submetem ao seu poder (Rm 8.38-39; Mc 1.27).
A atitude esperada do povo de Deus diante da realidade do maligno não é a negação, nem a supervalorização, mas a confiança absoluta no poder superior de Deus (Is 43.13).
Deus propõe que nossa fé nele será suficiente para nos preservar diante desta “batalha” nas regiões celestiais (1Jo 5.18). Essa fé pode ser a mola mestra a nos impulsionar a seguir adiante na nossa árdua jornada de servir a Deus neste mundo.
Ao expulsar demônios, Jesus nos deixou sinais do seu poder sobre o maligno. Os evangelistas, ao registrarem essas inúmeras oportunidades em que Cristo expulsou demônios,  desejavam que a nossa segurança em Cristo aumentasse e nos  ajudasse a continuar nossa vida com Deus.
O que esperamos da Igreja de Cristo diante do maligno? Esperamos que ela esteja consciente de que não pode vacilar e que mantenha sua confiança naquele que está a seu lado está aquele e que é capaz de destruir o mal com o sopro de sua boca (2Ts 2.7-8).
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). Foi com essa certeza no coração que os discípulos saíram mundo a fora anunciando o Evangelho e destruindo as fortalezas do mal (2Co 10.3-5) e prevalecendo contra as portas do inferno (Mt 16.18). 


terça-feira, 2 de abril de 2013

Ressurreição Como Um Modelo de Vida


Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

O “Domingo da Ressurreição” é uma data muitíssimo especial do calendário cristão. Neste dia, em particular, o crente deve parar para refletir a respeito de sua nova vida em Cristo Jesus.
Na sua morte, Jesus pagou o preço pelo nosso pecado e em sua ressurreição, Ele conquistou a vida por nós. Usando as palavras do apóstolo Paulo: “Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6.5).
Assim, eu e você, na ressurreição de Jesus, também ressuscitamos. Portanto, algo passa a ser diferente na minha e na sua vida, quando consideramos atentamente o que isto significa. Por isso, é tão importante refletir a respeito da nosso novo estado de vida, como ressurretos em Cristo.
Neste capítulo da carta aos Romanos, Paulo pontua a respeito das implicações da ressurreição na nossa vida. Ele, dentre outras coisas, diz o seguinte: “...a morte já não tem domínio” (verso 9). Isto aponta para um novo estado de liberdade que temos.
Antes, quando dominados pelo poder da morte que veio ao mundo por meio do pecado, não conseguíamos nos voltar para Deus. Mas, agora, libertos do domínio da morte, nos foi dado o acesso a Deus, por meio de Jesus. Por isso, Paulo também diz: “...considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus” (verso 11).
Uma consequência deste novo estado do cristão diante de Deus, implica em uma entrega consciente, voluntária e determinada a Deus: “...oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos” (verso 13).
É uma contradição de termos cristãos verdadeiramente ressurretos em Cristo que ainda se permitam dominar por determinado modelo de vida marcado pelo pecado. A consciência da ressurreição deveria nos fazer correr determinadamente à uma entrega total ao Senhor e à sua vontade.
Crentes que sentem amor pelas coisas do mundo e dificuldade para o exercício de uma fé vibrante e apegada precisam voltar ao túmulo vazio e pedir que os efeitos da ressurreição se reproduzam em sua vida de forma eficaz.
Com sua ressurreição, Jesus nos legou um modelo existencial baseado na abundância de vida. Não se trata de uma opção pessoal, mas uma convocação para viver como ressurretos! Aleluia!