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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Antecedentes da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa - Parte 5 - 01/01/59

IPBVF - Década de 60
O ano de 1959 seria muito especial para o presbiterianismo brasileiro. Afinal, aquele seria o ano do Centenário da Igreja. A IP do Brás era pastoreada pelo Rev. Boanerges Ribeiro, homem arguto, enérgico e um visionário. Com ele, a igreja do Brás se tornaria uma forte plantadora de novas igrejas.
Após a compra do terreno da Rua Arapoca no final de 1957, os presbiterianos da Vila Formosa dedicariam o ano de 1958 à construção de um pequeno salão e foi assim que registraram esta intenção: “Resolve-se começar os estudos para aproveitamento do terreno, imediatamente levantando no mesmo um pavilhão de 12 metros por 8 metros, construindo-se da forma mais simples possível, a fim de que, se for o caso, facilitar sua demolição na ocasião que se construir o templo definitivo”.
A ousadia, coragem e desprendimento destes irmãos, chefiados pela forte liderança do Rev. Boanerges e o empenho daquelas poucas famílias fez com que o plano fosse posto em operação. A IP Brás, solicitou ao Presbitério de São Paulo a ordenação do jovem bacharel em teologia, Daniel Mariano da Silveira e o fez seu pastor auxiliar em 1958, designando-o para trabalhar na Congregação de Vila Formosa. Foi um ano de muito trabalho, coroado com muito êxito e a consolidação de um forte grupo de irmãos.
No dia 01 de janeiro de 1959, designada pelo Presbitério de São Paulo, reuniu-se no salão da Congregação a Comissão Organizadora da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa. Presidida pela Rev. Boanerges Ribeiro, tendo como convidado especial o Rev. Jacob Silva, que pregou o texto de Mateus 16.13 a 20. Naquele dia, foram arrolados 84 membros para a congregação.
Membros Maiores - Anailda A. Barreto, Acelino Fernandes, Augusta Barbosa, Alice Azevedo, Antonieta Fernandes, Anastácia A. dos Santos, Augusta Agostinho da Silva, Aquila Pereira, Benedito R. de Carvalho, Carmem Oliveira, Clemente Lopes da Silva, Catarina Pereira Garcia, Delfino de Oliveira, Doracinda Coutinho Ramos, Doraci Fernandes Machado, Dimas Izidoro Melo, Daniel P. da Silva, Deise Fernandes Machado, Dimei Teixeira, Denir Pereira de Souza, Eurípedes R. Carvalho, Eunice Aguiar dos Santos, Edite Batista da Silva, Eli Batista de Vasconcelos, Eliezer Batista de Macedo, Elisa Pereira Toledo, Elizete Cipriano de Oliveira, Francisco Marcelino da Silva, Francisco Vieira de Morais Filho, Francisco dos Santos, Gerson Pereira da Silva, Gediel Pereira de Souza, Inez Terezinha da Sailva, Jair Machado Garcia, Josefa Afonso Martins, Josina Costa, Jetro Pereira da Silva, João Pereira de Souza, João J. Martins, José Rodrigues Veloso, Luzia Teixeira de Morais, Leázaro Pereira de Souza, Maria Barbosa de Carvalho, Mariana Morais, Maria Teixeira dos Santos, Maria de Oliveira, Miguel Pereira da Silva, Natalina Mascelani, Odete Agostinho da Silva, Paulo Machado, Paulo Mascelani, Paulo Antonio da Silva, Palmira Valim, Lucília Lopes da Silva, Paulo Rodrigues de Carvalho, Palmira Lorenzano de Carvalho, Rute A. da Silva, Renato Candido de Oliveira, Sebastiana Moreira, Zaqueu Galdino, Zulmira Costa, Berenice Batista Farias, Erondina Alvarenga.
IPBVF - Culto de Gratidão 59 anos - Fevereiro 2018
Membros Menores - Ademir Galdino, Cleide Teixeira de Morais, Cleide Pessoa Garcia, Cleonice Teixeira de Morais, Cleusa Teixeira de Morais, Claudete Teixeira de Morais, Ezequiel Cezar Silva, Doroty Fernandes Machado, Enéas Pereira da Silva, Getúlio Machado Filho, Georgina Lopes da Silva, Jesiel Martins, Jairo Galdino de Azevedo, Jael Galdino de Azevedo, Janete Lorenzano de Carvalho, Leny Pereira da Silva, Lúcia Rodrigues de de Carvalho, Jair Garcia Filho, Milton Lorenzano de Carvalho, Marcos Cesar da Silva, Rubens Cesar da Silva, Sérgio Galdino de Azevedo, Silas Lopes da Silva, Maria Terezinha da Silva, Vilma Pessoa Garcia, Wagner Batista Farias, Zoraide dos Santos, Waldir Batista Farias.
Algumas famílias que trabalharam na congregação continuaram sua caminhada na IP Brás, mas estes foram arrolados em Vila Formosa e seguiram nessa grande história de serviços ao Rei. Louvado seja Deus por tudo isto e o que se seguiria na jornada de fé da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa. (Fonte: Atas da Comissão Administradora da Congregação e Ata da Comissão Organizadora da IP Vila Formosa). 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Presbiterianismo Transformador - a Palavra Impressa

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

Culto, pregação, aproximação pessoal, estas foram algumas das estratégias presbiterianas para ganhar a mente dos brasileiros. O entendimento dos presbiterianos a respeito do processo de influencia sobre o povo brasileiro não parou nas ações dentro da igreja ou no âmbito do evangelismo corpo a corpo. Muito cedo, os pregadores presbiterianos voltaram os seus esforços para a literatura, em particular, o uso dos jornais.
Embora ainda haja um campo magnífico a ser explorado por pesquisadores, é muito conhecido de todos do campo de pesquisas históricas, que os primeiros protestantes brasileiros foram muito abundantes no uso do material escrito. Eles produziram atas, relatórios, publicaram folhetos, traduziram livros e escreveram muitos artigos para jornais.
O Rev. Simonton, em 1863, escreveu uma carta para a Junta de Missões Estrangeiras falando sobre a oportunidade de pregar o Evangelho por meio do uso dos jornais que circulavam no Império: “Uma imprensa livre oferece vantagens para a disseminação da verdade evangélica que deve ser muitíssimo apreciada. Livros e tratados protestantes podem ser publicados sem necessidade de licença do governo; mesmo os jornais das grandes cidades prontamente aceitam inserir um artigo religioso cobrando as mesmas taxas de um artigo comum. A despesa de uso dos jornais é considerável, mas como vários deles circulam por todo o império, a verdade salvadora é, dessa forma, espalhada por um vasto campo”. Essa percepção estratégica foi fundamental para que em 5 de novembro  de 1864, o primeiro periódico protestante fosse impresso na cidade do Rio de Janeiro: “Imprensa Evangélica”, que foi publicado até 1892.
O jornal “Imprensa  Evangélica”, inicialmente, dirigido pelo próprio Simonton, publicava sermões, trechos de obras literárias protestantes, divulgava os trabalhos e endereços das igrejas, além de colunas específicas de apologia sobre os erros do catolicismo romano etc. Mas um dos seus focos mais interessantes era a ideia de que poderia servir como um manual de devoção pessoal para as famílias presbiterianas do país.
Fazer o brasileiro ler e usar esta leitura como mecanismo de conquista dos corações foi um dos mais bem sucedidos projetos presbiterianos no intuito de espalhar o Reino de Cristo no Brasil. A Imprensa Evangélica foi só o começo de uma vastidão de publicações, o que levaria os presbiterianos a outro grande empreendimento: a educação.


domingo, 10 de agosto de 2014

Notas do Diário de A.G. Simonton - Um Servo Confiante no Seu Senhor

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno
(textos extraídos de "O Diário de Simonton - 1852 a 1866" - Ed. Cultura Cristã - 2002)

O jovem pastor Ashbell G. Simonton jamais desejou ser um herói, ou mesmo uma figura histórica. Sua motivação para a obra missionário nasceu de uma rica experiência pessoal com a graça de Deus, que lhe incutiu no coração um senso de dever para com o Evangelho. Em seu diário, antes mesmo de viajar para o Brasil ele registrou: “Assumi os votos feitos por meus pais em minha infância “para ser do Senhor”, e fazer do Seu serviço o supremo objetivo da vida. Para que todo o caminho que eu tomar seja marcado por sua Palavra e Sua Providência, jamais me deixarei afastar do caminho que Ele indicou; especialmente se Sua Vontade clara me indicar o Ministério, para lá irei com alegria e zelo” (Diário, 6/5/1855).
Esse anseio de cumprir o seu papel como servo de Deus conduziu Simonton nos seus primeiros anos aqui no Brasil de tal forma que mesmo a morte de sua amada esposa em 1864 não o impediu de seguir adiante com sua missão. Aquele ano tão repleto de tristezas, ainda guardaria algumas importantes conquistas para o jovem pastor, pois, entre outras coisas, Simonton iniciou a publicação do primeiro jornal evangélico brasileiro “A Imprensa Evangélica”. Esse grande feito, Simonton atribuía a Deus: “Pressionado com os problemas da casa, com a necessidade de recursos para o bebê e com a preocupação da Imprensa, sinto-me exausto e acabado. Dois números já saíram. Recobrei a saúde e o equilibro de espírito e estou mais confiante e esperançoso. O Senhor provará e dirigirá, é agora minha canção e certeza” (Diário, 26/11/1864).
Helen, filha Simonton, foi conduzida para a casa de sua irmã, Elizabeth Blackford, em São Paulo, onde seria melhor cuidada. Ele, entretanto, seguiu sua jornada pela implantação da reforma protestante no Brasil. Em 1865, foi à cidade de Brotas e lá, teve um dos momentos mais entusiasmados de sua missão, quando um grande número de pessoas passou a ouvi-lo e a considerar a mensagem protestante: “Nunca vi tão bem a excelência do Evangelho e sua perfeita adequação para convencer e salvar os que estão ansiosos e desejam conhecer a verdade. O interesse desses dias foi absorvente; explicava-lhes a verdade, respondia-lhes às dúvidas, etc. Encontrei melhores sentimentos e sinceridade religiosa nessa comunidade e passei a alimentar maior esperança de uma rápida propagação do evangelho no Brasil” (Diário, 2/5/1865).
Simonton, podemos dizer, era um homem que confiava exclusivamente em Deus. Ele não buscou ser um herói, mas um servo humilde, dedicado e aplicado em dar o melhor de si para o Reino de Cristo. Estas passagens do diário falam disto.


domingo, 25 de agosto de 2013

Primórdios do presbiterianismo na cidade de São Paulo (parte 3)

Rev. George W.Chamberlain e o início da Escola Americana (Mackenzie Colege)

Rev. George W. Chamberlain
Blackford, Simonton, Schneider e Conceição seguiam como os principais divulgadores da fé presbiteriana em solo brasileiro. A eles juntou-se o Rev. George Whitehill Chamberlain, que trouxe uma enorme contribuição para o progresso do presbiterianismo na cidade de São Paulo.
Chamberlain era professor e inicialmente veio ao Brasil para tratamento de uma enfermidade nos olhos. O professor Chamberlain chegou ao Brasil em 21 de julho de 1862 e, como lhe havia indicado o Rev. Blackford, que por esse tempo estava nos Estados Unidos, passou a conhecer o campo missionário. Por um ano esteve na Província de São Paulo e depois foi ao Rio Grande do Sul, onde lecionou inglês.
Em 23 de maio de 1864 veio para o Rio de Janeiro com a finalidade de auxiliar o Rev. Simonton, justo no ano do falecimento de Helen Simonton, no final de junho. Em novembro de 1864, mudou-se para São Paulo e primeiramente lecionou inglês aos paulistanos, auxiliando várias vezes na pregação da Primeira Igreja de São Paulo, participando da organização desta em 1865.
Como já auxiliava os missionários em pregações e aulas de Escola Dominical, Chamberlain foi encaminhado pelo Presbitério do Rio à ordenação, que ocorreu em 08 de julho de 1866. Foi aos Estados Unidos, estudou teologia em Princeton e levantou recursos para a construção da sede da Igreja no Rio de Janeiro, retornando ao Brasil em 23 de setembro de 1868 para substituir o Rev. Blackford que voltara aos Estados Unidos.
Escola Americana na Rua São João com Rua Ipiranga
Em outubro de 1869 assumiu o pastorado da Igreja de São Paulo e deu novo impulso a este trabalho. Visitou vários bairros e vilas da capital paulista, o interior e o litoral do Estado. Em sua residência, na Rua Visconde de Congonhas do Campo, nº1, iniciou a Escola Americana. Dna Mary Ann Amesley Chamberlain, lecionava para meninas que não podiam ir à Escola Pública por causa de intolerância religiosa. Em 1871, a Escola Americana passou a funcionar no endereço da Igreja, na Rua Nova de São José, nº1 (atual Líbero Badaró) e outros mestres passaram a dar aulas ali, entre eles: Mary Chamberlain (música e francês); Harriet Greenman (inglês, caligrafia, conhecimentos gerais); Júlio Ribeiro, o conhecido autor do livro “A Carne” (português); Palmira Rodrigues (história) e Adelaide Molina (geografia).
A Escola Americana se desenvolvia fortemente naqueles anos e em 1876, transferiu-se para uma sede própria na esquina da Rua São João com a Rua Ipiranga, onde passou a funcionar também um internato para meninas e o primeiro jardim da infância do Brasil.

(Fonte: Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil (1859-1900) - autor: Alderi S. Matos - Ed. Cultura Cristã)