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sábado, 29 de março de 2025

Deus nos Ergue Para Um Viver do Alto

Ele levanta o pobre do pó e tira o necessitado do monte de lixo (...) O SE-NHOR faz com que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos (Salmo 113.7-9) - para muitas pessoas, a vida é o resultado de uma ordem natural das coisas, regidas por leis que se estruturam por si mesmas, decorrentes da própria essência das coisas. Para essas pessoas, até os relacionamentos humanos respondem ao processo natural dos temperamentos emocionais, condicionamentos culturais e circunstâncias sociais que nos inclinam para este ou aquele comportamento.

No Salmo 113, o salmista está propondo o reconhecimento da excelcitude do Senhor, isto é,  quão elevada é a sua glória. Um dos pontos do salmo que deixa isto claro é que ilustram essa condição é a frase: "Quem é semelhante ao Senhor, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra?" (Salmo 113.5-6).

Ele levanta o pobre do pó - para explanar o seu ponto, ele levanta o tema da mudança das condições da vida de uma pessoa, socialmente falando. O pobre, o desprovido de recursos é representado por aquela pessoa mais próxima do pó ou do nada, mas o salmista diz que a mudança nessa condição acontece, mediante a ação do Deus excelso.

Tira o necessitado do lixo - a condição de desprezo do necessitado é transformada, graças a ação de Deus que levanta o homem da sua condição, levando-o a uma nova experiência na sociedade: "(...) para o fazer sentar ao lado dos príncipes" (vs.8).

O SENHOR faz com que a estéril (seja alegre mãe de filhos) - para que o seu exemplo não pareça apenas uma fala teórica, o salmista apela para um tema muito importante da história de Israel: Sara a mulher de Abrão. Não somente Sara, mas na raiz histórica da própria monarquia, por exemplo, Ana, mãe do profeta e último juiz de Israel, Samuel. OU seja, a ação de Deus na vida humana, não se trata apenas de uma circunstância natural, movida por razões naturais da biologia humana ou da nossa sociologia. A mulher estéril, ser elevada à maternidade era uma forma de se perceber que, em meio ao mundo natural, existe a ação de Deus, que se inclina para o céu e para a terra.

A verdadeira vida espiritual não é a busca algo em oposição à naturalidade, mas a percepção de uma realidade divina, em meio ao mundo natural, permeando sua presença entre nós. Quando as coisas da vida material são operadas, elas também são sinais de uma ação divina em sua existência. Ter olhos para ver isto é viver o padrão do Alto.

 

 

sábado, 18 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 2

Ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês" (Mateus 28.20) O texto da grande comissão deixa claro que a nossa relação interpessoal discipular tem uma natureza pedagógica. Portanto, servimos, uns aos outros como instrumentos do ensino da Palavra.

Primeiramente, pensemos sobre o que é o ensino que a Bíblia apresenta no contexto desta passagem. E o primeiro ponto é fazer uma distinção, entre o ensino doutrinal e o ensino vivencial. Eles caminham juntos e um não se sobrepõe ao outro, mas se complementam.

O ensino doutrinal é aquele que me leva ao conhecimento da doutrina e do plano de Deus para a humanidade. O ensino vivencial é aquele que me ajuda a aplicar o primeiro, de forma prática, materializando o que o meu coração aprende na doutrina.

Por exemplo, pensemos na lição que Jesus nos deu ao resumir a lei em dois mandamentos: Jesus respondeu: "Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu entendimento." E: "Ame o seu próximo como você ama a si mesmo." (Lc 10.33) - Jesus tem uma intenção doutrinal, ao estabelecer claramente como o decálogo deve ser compreendido. Mas, logo a seguir, ele conta a famosa parábola do Samaritano, que aplica de modo prático esse conhecimento doutrinal.

A Igreja é um corpo de discípulos em constante transformação e crescimento. Esses fenômenos da vida cristã acontecem por meio de um processo pedagógico, estabelecido em dois polos: a doutrina e a vida.

Nossa Igreja deve desenvolver, cada vez mais, o seu gosto e anseio pelo conhecimento da Palavra. A doutrina deve ocupar lugar especial em nossa maneira de viver o Cristianismo, como sei que muito já se tem empreendido neste sentido em Fall River.

Por outro lado, esse conhecimento tem de se materializar em nossas ações de comunhão uns com os outros na família e na Igreja, mas também com os de fora, que ainda não conhecem a Cristo. Portanto o convívio também deve ser um componente importante da nossa condição de Igreja de imigrantes.

Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

(continua no próximo...)

 

 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Um Só Rebanho e Um Só Pastor

A linguagem ilustrativa é uma arte. Usar figuras para ensinar é um método muitíssimo eficaz, pois a mente humana foi criada para imaginar, isto é, dar significado e utilidade à imagens cognitivas construídas para interpretar a realidade que nos cerca.

Deus nos revelou a Verdade a respeito de si mesmo por meio destas imagens, que faz impregnar em nossa mente: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1). O salmista afirma que não há linguagem formal, senão aquela que se deixa ver, as imagens das coisas criadas, nos revelando o Criador das coisas.

Muitas imagens são utilizadas na Bíblia Sagrada e transportadas para o nosso universo de conhecimento para nos ajudar a compreender a Verdade da realidade e uma destas imagens é a figura do “pastor de ovelhas”.

“O Senhor é o meu pastor e nada me faltará” (Sl 23.1) - O pastor de ovelhas é a figura campesina, própria da época bíblica em que vivam os profetas e reis de Israel. Eles representavam muito bem, a figura de cuidado, liderança, exemplo e proteção que Deus queria que o povo aprendesse a respeito dEle próprio e daqueles que Ele escolhia para andarem à frente do povo.

Embora a Bíblia tenha sido escrita ao longo de quase dois mil anos, a figura jamais deixou de ser importante e, até aos dias de hoje, graças à própria Bíblia, continua gerando o conhecimento necessário para que vivamos e desfrutemos de um abençoado relacionamento com Deus e com sua santa providência.

Jesus atribuiu a si mesmo a imagem do pastor: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Assim, Deus deixa o patente desejo de nos conduzir pela vida, levando-nos pelos mais seguros e abençoados caminhos verdejantes, onde a justiça e o amor são as experiências comuns (Sl 23.1-3). O contraste que Jesus aplicou à ideia de um pastor bom é o do mercenário, alguém cuja finalidade não é o cuidado do rebanho, mas o egoísmo, pois é movido pela ganância e a covardia. Em face do perigo,  deixará o rebanho sem proteção (Jo 10.12-13).

O Bom  Pastor, por sua vez, está ali, mesmo que seja um vale de morte (Sl 23.4) para dar a própria vida para salvar seu rebanho (Jo 10.15). Ele faz isso porque há comunhão entre ele e suas ovelhas: “...então, haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10.16). Esse é mais elevado amor que existe, aquele em que o Pastor e a ovelha se tornam um só corpo, como um casamento. Eles vivem juntos para sempre, onde está um, está o outro também (Sl 23.6).

Jesus nos pastoreia exatamente para essa comunhão eterna, que nos faz ver a vida do seu modo e nos leva a vivenciar a sua presença constante. Para este pastoreio, Cristo usa a Igreja e, através de cada um de nós, mantém o seu cuidado, proteção e amor. Somos os braços, a voz, a vara e o aconchegante colo do Bom Pastor, uns para os outros. Neste ano de 2021, o Pastoreio do Rebanho será a nossa comida e a nossa meta como Corpo de Cristo. Participe disto conosco!

Autor: Rev. Maurício Nepomuceno


sábado, 22 de dezembro de 2018

O Natal de Jesus e o Ide Por Todo o Mundo

Vimos a sua estrela  no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2.2)- foi assim que os magos souberam do nascimento de Jesus; “Um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles” (Lc 2.9) - esta foi a maneira como os pastores tomaram ciência do nascimento de Jesus, quando a miríade celestial cantou a glória de Deus aos homens; “O que vem depois de mim, contudo, tem a primazia, porquanto já existia antes de mim” (Mc 1.15) - este era o modo como um profeta deu conhecimento às multidões peregrinas nos desertos sobre a chegada do Messias. 
O que há de comum nestes relatos? Eles nos mostram o poder de Deus intervindo na realidade do homem para fazer cumprir a sua vontade e trazer ao mundo o Salvador. Desta forma, meus amados irmãos, todos podemos dizer que a Salvação dos filhos de Deus não foi apenas uma tentativa bem sucedida de resgate, mas o resultado esperado de um plano, executado não na força do homem, mas no poder sobrenatural de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).  
Este é o ponto central dessa nossa meditação, isto é, pensar sobre o fato de que Deus planejou e realizou o ato da salvação dos seus filhos. Mas não somente isso, devemos pensar que todos estes atos sobrenaturais, mediados pelo uso de estrelas, seres celestiais ou mesmo profetas, não eliminaram o simples uso de homens de carne e osso como nós. 
Pense que estes textos, embora contenham elementos de sobrenaturalidade evidente, eles também incluem a participação peculiar de homens, quer magos, vindos do Oriente, pastores que apenas apascentavam seus rebanhos na vigília da noite, ou um homem, nascido de mulher, cuja missão o levava a viver nos desertos e comer gafanhotos e mel. 
A gloriosa história da Salvação dos filhos de Deus, revela a instrumentalidade humana e a decisão de Deus de fazer uso dela. Todos sabemos que  o Salvador foi um filho prometido desde Gênesis 3.15. Dali, em diante, foi a instrumentalidade das famílias e das pessoas, as genealogias de Jesus são uma demonstração desse fato.
Homens são salvos, quando Deus move homens para isso. Essa é uma lição que precisamos relembrar no Natal. Não podemos esperar que as pessoas sejam alcançadas ou que Cristo venha aos seus corações, sem que nós, sejamos os mensageiros e anunciadores desse Evangelho. Natal é a celebração da vinda de Cristo e o Ide da Igreja anunciadora dessa a Mensagem. Os Evangelhos começam com o Natal e encerram sua mensagem no Ide.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Um Presente Para Jesus

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Entre as cenas mais conhecidas do Natal temos aquela em que os magos do oriente se prostram diante de Jesus e lhes entregam o ouro, o incenso e a mirra (Mt 2.11). Estes presentes representavam toda a expectativa e reconhecimento que tinham para com Jesus, como seu Rei.
O Natal é em nossa cultura uma época para a troca de presentes. Uma pequena lembrança, um presente caro, ou ainda um simples gesto de consideração e, mesmo sem custo financeiro, são maneiras de se comemorar e viver o Natal. E acredito que essa ideia de presentear no Natal tenha a ver com aqueles sábios do oriente e sua atitude.
No entanto, seguindo mais de perto o exemplo daqueles magos, deveríamos refletir sobre o presente que precisamos dar a Jesus. Afinal, o Natal é o dia de Jesus. O que será que Jesus gostaria de receber neste Natal?
Podemos imaginar algum significado para o outro, o incenso e a mirra que aqueles homens entregaram a Jesus. O Evangelista Mateus apenas nos informa que eles ofertaram os seus tesouros: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas; ouro, incenso e mirra (Mt 2.11).
Não acredito que o principal desta cena esteja no valor ou significado destes três presentes, mas no fato de serem tesouros pessoais. Suas ofertas eram parte da vida daqueles homens.  Este é um ponto importante.
Mateus foi o escritor do Novo Testamento que mais usou a palavra grega “Thesaurous”. Ele, ligou a ideia de tesouro ao conceito de “coração”: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21). Da mesma forma, Lucas também uniu estes dois conceitos: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem” (Lc 6.45).
“Filho meu, dá-me o teu coração” (Pv 23.6) - este é o presente que precisamos entregar  para Jesus. No Natal e em todos os outros dias, nosso coração deve ser entregue a Ele. Na verdade, quando nosso coração for totalmente dEle, Ele será o nosso grande tesouro.
Quem serão os sábios deste Natal? Os sábios serão aqueles que oferecerem a Cristo sua vida, como sua maior preciosidade, seu tesouro. Estes poderão colher o melhor desta data e realmente descobrir o que é e como se vive um “Feliz Natal”. Estes são, para todos, os nossos votos de um Feliz Natal para todos!


sábado, 28 de novembro de 2015

Imagens do Messias - Um Rei, Filho de Davi

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Jesus, Filho de Davi - As imagens bíblicas  que apontam para Jesus, são uma maneira didática para nos ensinar a respeito do Nosso Senhor. Entre elas, encontramos a figura “Filho de Davi”. Mas o que isso explica sobre a pessoa e obra do Nosso Salvador?
A primeira frase do Novo Testamento apresenta Jesus Cristo da seguinte forma: “Livro da Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1.1).  As genealogias tinham um importante lugar na cultura dos judeus. Elas apontavam para a grande promessa dada a Adão (Gn 3.15), que fala que “o descendente” da mulher haveria de esmagar a cabeça da serpente. Desde então, as famílias de Israel passaram a esperar por este “filho”.
Abraão foi um destes agraciados pela promessa de um descendente (Gn 17.19). Dele, nasceu Isaque, o filho da promessa. Os anos se passaram, a família de Isaque cresceu e depois dos dias de Jacó, seu filho, um grande povo saiu do Egito, rumo à terra de Canaã. Os hebreus, agora, israelitas, se tornaram uma nação organizada.
Já na terra, escolheram um rei. O primeiro foi Saul, mas este não fez o que era reto perante o Senhor. Por isso, Deus tirou-lhe o trono, provendo para si um Rei, segundo o seu coração, Davi, o filho de Jessé. A Davi, Deus fez uma promessa a Davi: “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará a mim uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino (2Sm 7.12-13). Nestas palavras, podemos aprender importantes lições sobre o Messias. Destacamos aqui o fato de que Jesus veio ao mundo para reinar. 
Estabelecerei o seu reino - Deus deixa claro que a conquista realizada por Jesus, o Filho de Davi, não é o simples resultado do poder humano, mas do grande poder de Deus. Paulo diz que este poder foi exercido em Cristo e o colocou acima de todos os principados e potestades (Ef 1.19-21).
Edificará uma casa - Essa promessa é uma referência ao  templo, que seria construído por Salomão. As Escrituras nos falam de uma “Casa” ainda maior, o verdadeiro Templo do Senhor, feito de “pedras vivas”, a Igreja. Cristo, em seu ofício real, trabalha para edificar a Igreja, que é também chamada de “O  Corpo de Cristo” (Ef 1.23).
O Eterno Trono do Seu Reino - Juntos, o Rei e seu povo, o Cabeça e o Corpo, Cristo e a Igreja podem desfrutar da promessa de uma vida eterna de harmonia, de justiça e comunhão. Este reino eterno é o lugar dito nas  Escrituras: “...para mostrar, nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça e bondade para conosco” (Ef 2.7).
Um Reino de Luz que se levanta sobre a vida daqueles que clamam ao “Filho de Davi” que lhes socorra e lhes abra os olhos para que possam ver (Lc 18.41). A este mesmo Jesus, Rei pelo poder de Deus, construtor da nossa casa espiritual e eterno Rei, você também pode clamar: “Jesus, Filho de Davi, eu quero ver”. 

sábado, 26 de abril de 2014

O Alcance da Ressurreição de Jesus

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

Os discípulos tiveram enorme dificuldade para crer e compreender tudo o que estava envolvido na “ressurreição de Jesus”. A incredulidade marca todos os relatos dos dias que se sucederam à ressurreição. Mas Jesus continuou a persistir em alcançar os seus corações: “A estes também [aos apóstolos], depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (Atos 1.3).
Após a sua ressurreição, Jesus estava focado em mudar o entendimento dos seus discípulos. Ele se dedicou a quebrar a incredulidade deles e colocá-los novamente sob a premissa de que o Reino dos Céus estava entre eles, por que a morte fora vencida pelo poder da ressurreição. As palavras de Tomé nos falam sobre essa mudança que Jesus buscou: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20.28).
O incrédulo Tomé tivera o seu coração transformado pelas marcas da ressurreição. E o próprio Mestre mostrou que essa fé produz a verdadeira bem-aventurança, porque o poder da ressurreição não alcançou apenas quem o pôde tocar: “Bem aventurados os que não viram e creram” (João 20.29).  
Assim, a ressurreição de Cristo revela um elevado poder de alcance. Estendendo os seus efeitos muito além daqueles primeiros apóstolos e transformando vidas em todos os lugares.
Os chefes da religião judaica perseguiram os apóstolos e prenderam João e Pedro porque falavam a todos a respeito da ressurreição: “Falavam eles ainda ao povo [João e Pedro] quando sobrevieram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos” (Atos 4.1-2).
O Novo Testamento nos mostra uma Igreja confiante em Deus e no seu poder. A Ressurreição era o tema do seu testemunho e assim espalhavam a certeza do Reino de Deus entre os homens: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça (Atos 4.33).
À semelhança dos apóstolos a ressurreição precisa alcançar e impactar a igreja em nossos dias.  Falta-nos poder da mensagem, porque falta-nos a verdadeira fé no fato de que servimos a um Cristo Vivo, vitorioso e glorioso, que está assentado no Trono. Falta-nos uma visão concentrada na vida que estamos recebendo e um compromisso com a vida ressurreta: “...mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos e os vossos membros como instrumentos de justiça”(Romanos 6.13). Que a ressurreição alcance o seu coração com poder!  


domingo, 30 de março de 2014

Quem entregou Jesus para ser crucificado?

Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

Algumas vezes, Jesus aproximou-se dos discípulos e lhes falou acerca da sua morte. Em Marcos, temos três destes registros: Mc 8.31-33; 9.30-32 e 10.32-34. Nessas ocasiões em que Marcos registra Jesus anunciando a sua morte, o texto que segue essas declarações aborda um dos mais importantes problemas da natureza humana na sua relação com Deus: o egocentrismo.

No capítulo 8, após repreender Pedro, Jesus faz o belo discursos sobre “o discípulo, negar-se a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo” (8.34-35). No 9, após o anúncio da morte, Marcos registra a conversa secreta dos discípulos sobre “qual deles o maior” (9.33-34). Por fim, no capítulo 10, note que o texto que segue é uma discussão egocentrada dos discípulos, que pedem a Jesus que sejam colocados um à direita e outro à esquerda dele no seu reino (ver 10.35-37).
Jesus, ao predizer a sua morte, por duas vez pontuou a seguinte palavra: “O Filho do homem será entregue...” (Mc 9.31, 10.33). O Evangelho de Mateus é ainda mais direto ao dizer: “O Filho do Homem será entregue para ser crucificado” (Mt 26.2). A pergunta que fazemos é: “Quem entregou Jesus?”
Várias podem ser as respostas: Judas, o entregou por dinheiro; as autoridades judaicas, por inveja; o povo, por omissão, ou medo etc.. Estas respostas podem representar parte da verdade. Mas, acho que, a partir do que vemos construído no texto, podemos dizer que Jesus foi entregue pelo “egoísmo dos homens”.
Muitas vezes, até mesmos nós, discípulos de Jesus, lidamos com as coisas de Deus como se o que realmente importasse fosse a nossa vontade. Assim, como Pedro, ou Tiago e João, as principais lideranças da religião judaica, ou até mesmo os romanos, crucificamos Jesus para a nossa vida e o deixamos lá, fora dos muros e voltamos a viver nosso padrão, baseado somente no que desejamos.
Esse é o ponto! Reveja suas atitudes e visite o seu próprio coração. Olhe para si mesmo e perceba se seu egoísmo não está, mais uma vez, entregando Jesus para ser crucificado. Mas, como toda história tem dois lados, essa não é diferente. Jesus se entregou por você, para romper o poder egocentrista do pecado e lhe dar uma vida centrada em Deus.
A cruz é o mais elevado exemplo de entrega e de vida não egoísta. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Deixou a sua glória e tornou-se homem, morrendo na cruz por nós, para que pudéssemos ser livres do domínio de nosso próprio pecado egoísta.