terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Um Novo Ano Novo Para Você!!

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Tudo bem, posso entender se você achar redundante desejar um “Novo Ano Novo” para alguém. Na verdade eu apenas quero dizer que algumas, ou muitas, vezes para começar “de novo” um “ano novo”,  é preciso fazer isto de um "jeito novo”.
Em Efésios 5.15 a 17, o  apóstolo Paulo nos provoca ao despertamento e à reflexão quando diz: “Vede prudentemente como andais”. Fazer qualquer caminho não é um jeito certo de trilhar mais um ano de vida, mas é preciso pensar mais, refletir mais e ouvir mais antes de escolher alguma direção.
Faremos algumas escolhas erradas, afinal somos somente seres humanos, que nada sabem sobre o futuro e nem sempre conseguimos prever as consequências. O que não é certo é cairmos de novo no erro de fazer escolhas como fruto da nossa impaciência, ansiedade ou simples loucura, como completa o apóstolo: “...não como néscios, mas sim como sábios” (Ef 5.15).
“Remindo o tempo por que os dias são maus” (Ef 5.16) - Não somos senhores do tempo, ele passa tão rápido que nem sequer percebemos. De repente, o hoje vira ontem, anteontem, mês passado, ano passado... Remir, nesta palavra do apóstolo tem o sentido de “salvar”, isto é, fazer o melhor uso possívelÉ comum que terminemos os dias do  ano, com algumas lembranças ruins de como deixamos o  tempo passar à toa. 
Quem sabe escolher bem o que fazer a cada oportunidade, consegue viver melhor em dias maus. Gastar nosso tempo com qualidade, em coisas que constroem e organizam a vida e o futuro é sempre o melhor jeito de ver as coisas passarem para o ontem. 
O conselho do apóstolo se encerra afirmando que o mais importante é compreender que nosso maior trabalho não simplesmente fazer novas escolhas, mas deixar com que nossas escolhas sejam frutos da nossa consciência de quais escolhas estão mais de acordo com a vontade de Deus: “procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5.17).
Com certeza, nos cansamos de começar ano e terminá-lo olhando para trás carregando tantas frustrações. Ainda que tenhamos vivido coisas boas e felizes, temos de conviver com falhas, omissões, precipitações que nos acompanham. 
Ter um “Novo Ano Novo” pode significar uma nova visão de como trilhar a estrada 2016. Ouvir mais, pensar mais e cuidar mais de cada maneira como usaremos o  nosso tempo. Conhecer mais a "novidade de vida" que a vontade de Deus tem preparada para nós, nos dará uma condição maior de fazer "Tudo Novo neste Ano Novo”. 

Um Novo Feliz Ano Novo Para Você!! 


domingo, 27 de dezembro de 2015

Cristo todos os dias!

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno
A leitura bíblica nos oferece um conhecimento riquíssimo sobre a pessoa e obra de Jesus como nosso único  e suficiente Salvador. Seu  nascimento virginal, sua vida impecável, ensino cativante, milagres impressionantes, a paz de suas ações e, por fim, sua morte injusta, mas necessária, tudo isto nos conduz à fé e ao quebrantamento de coração.
De muitas maneiras a Palavra de Deus nos conduz a uma sensação de segurança e paz espiritual. Por isso, nos sentimos consolados quanto a toda a boa obra que Jesus fez no passado e o modo como demonstrou o seu poder. Também, quanto ao nosso futuro, podemos descansar, crendo que ele voltará para nos resgatar e nos dará a vida eterna.
No entanto, por algumas razões, todo este farto conhecimento sobre Cristo, muitas vezes falha em nos trazer consolo, força e sabedoria para lidar com a situação presente. Por isso, precisamos continuamente de Cristo como o Salvador de todo o dia e não será diferente em cada dia  do ano de 2016.
Eis que estarei convosco todos os dias - As palavras de Jesus aos seus discípulos, ditas no momento de sua ascensão, devem nos conduzir a pensar em Cristo e o papel que ele deve exercer  nas mais concretas circunstâncias da nossa vida. Devemos pensar que precisamos Cristo hoje.
Primeiramente, precisamos nos lembrar de que somos pecadores e capazes de estragar tudo ao nosso redor com um gesto ou apenas uma palavra. Na verdade, somos autodestrutivos (Rm 7.18-24) e precisamos que Jesus nos ensine a vencer esse poder destruidor do nosso coração pecador, nos santificando e aconselhando a cada passo (Rm 8.10) .
Em 2016, precisaremos realizar o que é bom, fazendo escolhas certas e, pelas razões mencionadas antes, carecemos que Jesus os guie. Temos inclinações à precipitação, ansiedade, vanglória, egoísmo etc. Todas estas coisas nos empurram a escolher mal (Ef 5.15) e precisamos meditar sobre como Jesus agiria, o que priorizaria e imitá-lo em tudo (1Co 11.1).
Por fim, precisamos viver para Deus e buscar outros para o caminho certo. Se desejamos um 2016 diferente de todos os já ficaram para trás, temos de viver mais fortemente nossa fé e comunhão com Cristo (Mt 11.29). Sua presença em nossa vida deve se tornar a marca de nosso caráter (Gl 2.20).
Cristo vive em mim hoje! É necessário que eu e todos os que me cercam possam perceber isto. A verdadeira vida cristã consiste em ter mais e mais de Cristo a cada dia, trazendo para o “hoje” o poder do passado e a glória do futuro. Um próspero Ano Novo, no mais pleno significado deste termo, deve ser um Ano Com Cristo!



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Um Presente Para Jesus

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Entre as cenas mais conhecidas do Natal temos aquela em que os magos do oriente se prostram diante de Jesus e lhes entregam o ouro, o incenso e a mirra (Mt 2.11). Estes presentes representavam toda a expectativa e reconhecimento que tinham para com Jesus, como seu Rei.
O Natal é em nossa cultura uma época para a troca de presentes. Uma pequena lembrança, um presente caro, ou ainda um simples gesto de consideração e, mesmo sem custo financeiro, são maneiras de se comemorar e viver o Natal. E acredito que essa ideia de presentear no Natal tenha a ver com aqueles sábios do oriente e sua atitude.
No entanto, seguindo mais de perto o exemplo daqueles magos, deveríamos refletir sobre o presente que precisamos dar a Jesus. Afinal, o Natal é o dia de Jesus. O que será que Jesus gostaria de receber neste Natal?
Podemos imaginar algum significado para o outro, o incenso e a mirra que aqueles homens entregaram a Jesus. O Evangelista Mateus apenas nos informa que eles ofertaram os seus tesouros: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas; ouro, incenso e mirra (Mt 2.11).
Não acredito que o principal desta cena esteja no valor ou significado destes três presentes, mas no fato de serem tesouros pessoais. Suas ofertas eram parte da vida daqueles homens.  Este é um ponto importante.
Mateus foi o escritor do Novo Testamento que mais usou a palavra grega “Thesaurous”. Ele, ligou a ideia de tesouro ao conceito de “coração”: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21). Da mesma forma, Lucas também uniu estes dois conceitos: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem” (Lc 6.45).
“Filho meu, dá-me o teu coração” (Pv 23.6) - este é o presente que precisamos entregar  para Jesus. No Natal e em todos os outros dias, nosso coração deve ser entregue a Ele. Na verdade, quando nosso coração for totalmente dEle, Ele será o nosso grande tesouro.
Quem serão os sábios deste Natal? Os sábios serão aqueles que oferecerem a Cristo sua vida, como sua maior preciosidade, seu tesouro. Estes poderão colher o melhor desta data e realmente descobrir o que é e como se vive um “Feliz Natal”. Estes são, para todos, os nossos votos de um Feliz Natal para todos!


sábado, 12 de dezembro de 2015

Imagens do Messias - O Servo Sofredor

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno


Filme Nárnia - Cena: A Morte de ASLAN
Na profecia de Isaías, podemos identificar algumas imagens do Messias:  o Filho da Virgem, o  Governante Real e o Servo Sofredor. A imagem de “Servo Sofredor” é particularmente trabalhada na parte final do livro (capítulos 42 a 53),, onde  encontramos vários textos sobre o “Servo de Jehovah” (42.1-7; 49.1-6;;50.4-9; 52.13; 53.12).
A Bíblia, de forma especial, usa o termo “servo”, para designar indivíduos que desenvolveram um relacionamento com Deus de verdadeira piedade e desempenharam papéis específicos na obra de Redenção. Alguns dos mais destacados exemplos deste tipo são: Moisés (Nm 12.7) e Davi (1Cr 17.17).
A partir do capítulo 42 de Isaías, o termo servo é empregada para designar alguém específico, uma pessoa pactual que viveria incondicionalmente para Jehovah e daria sua  vida para cumprir o propósito de levar a termo a sua obra. Sem medir as consequências para si, este homem, escolhido e acreditado pelo próprio Jehovah, viveria apenas para servir.
Esta figura messiânica, que agiria na força de Deus em favor do povo da aliança, seria o promulgador de uma nova maneira de viver, baseada na justiça e no amor de Deus. Mas ele não forçaria Israel a seguir o seu caminho. Antes, o conquistaria para Deus e  a atratividade do seu caráter seria a marca do mundo novo que Deus prometia implementar para o seu povo amado.
No capítulo 65, a partir do verso 17, o próprio Deus  descreve esse mundo novo: “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria e para o meu povo regozijo (Is 65.17-18).  Mas essa visão gloriosa do novo mundo de Deus para o seu povo é antecedida pela obra pesada do “Servo de Jehovah”, o “Servo Sofredor”: “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua vida alma como oferta pelo pecado (...). Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o Justo, com o seu conhecimento justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si (Is 53.10-11).
Certamente, a figura do “Servo Sofredor” é uma das mais explicativas sobre o ministério e obra de Jesus Cristo, o Messias. Se desejamos entender Cristo é preciso passar pela imagem do “Servo Sofredor”, o qual sofre por amor e se regozija em servir para salvar vidas. Assim também, devemos entender o papel da igreja, pois ela é “igreja sofredora”.
A igreja não é “sofredora” apenas por causa do martírio, resultante da maldade dos homens (como é possível ver em nossos dias, em muitos lugares do  mundo). Somos verdadeiros “servos sofredores” na medida em que aprendermos a amar os perdidos e encontrar razão de existir no modelo de vida que se realiza e alegra quando vive para restaurar vidas. Portanto, este sofrimento é  caracterizado por dar a vida para servir a Deus no propósito redentivo para o qual Ele nos enviou a este mundo, como representantes daquele “Servo Sofredor”, Jesus Cristo, a quem servimos e para quem vivemos.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Imagens do Messias - Um Sacerdote, Segundo a Ordem de Melquisedeque

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Pouco se sabe sobre o homem chamado “Melquisedeque”, citado em três textos das Escrituras (Gn 14; Sl 110; Hb 5-7).  Ele apareceu a Abrão, quando este ia ao encontro do exército do Rei de Sodoma para guerrear. Melquisedeque, descrito como Rei de Salém e Sacerdote do Altíssimo, trazendo consigo “pão e vinho”, abençoou a Abrão afirmando a vitória do patriarca (Gn 14.18-20).
O Rei Davi escreveu um salmo no qual afirma que o Messias, portador do cetro de Deus, traria consigo um juramento: “tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). Essa expressão foi tomada pelo escritor aos Hebreus e aplicada claramente a Jesus Cristo (Hb 5. 5-6).
Essa descrição bíblica do Messias aponta para valores muitíssimo importantes do nosso Senhor. Ter entendimento destes valores poderá modificar alguns aspectos do modo como nos relacionamos com Jesus e esperamos nEle. Um texto de grande importância para este entendimento é Hebreus 7.1-4.
Rei de Justiça - Neste texto, o autor aos Hebreus toma o nome “Melquisedeque”, que tem como raiz as palavras “Maleq” e “tsadique” (Hebraico - rei/justo), e descreve o caráter justo de Cristo e do seu sacrifício por nós. Da mesma forma, ele fala do caráter de Cristo chamando a atenção para a expressão: “Rei de Salém”.
Rei de Salém - a descrição “Rei de Salém” ou “Rei da Paz” está diretamente ligada à pessoa obra do Salvador no que diz respeito ao resultado da justiça que ele oferece no seu sacrifício. Ou seja, toda a obra de Cristo tem como razão final nos oferecer paz.
Estes dois destaques feitos pela carta aos Hebreus apontam para um “Rei”. Entretanto, em todos estes textos destacasse este rei como um sacerdote. Ao falar de Melquisedeque, o escritor bíblico ressalta que não há uma descrição genealógica dele e afirma que semelhantemente Cristo também é eterno. Assim sendo, a obra de perdão operada no sacrifício de Cristo também dura para sempre.
Concluímos, portanto, que a justiça que emana do sacrifício de Cristo não é duvidosa, passageira ou momentânea, mas eterna e segura. Ela produz o fruto da paz! Como nosso rei-sacerdote ele, por meio de sua morte, satisfez a justiça e nos trouxe a mais preciosa paz que se deve esperar neste mundo: ter comunhão com Deus.
Ao nos ensinar Cristo como um Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, as Escrituras nos conduzem a um estado de confiança e segurança que nos faz repousar seguros nEle. O “pão e vinho” são símbolos desta justiça e paz eternas que nos são oferecidas em Cristo. Nosso rei-sacerdote é poderoso para nos oferecer sua eternidade e perdão como ofertas de seu amor.
Abraão deu o dízimo - Não se trata de compra do favor, mas de reconhecimento e gratidão. É muito importante que o cristão aprenda a celebrar sua vida com Cristo com o gesto da entrega e da rendição (Hb 7.4). Quando aprendermos a entregar o melhor para Deus, estaremos um pouquinho mais perto de ter compreendido quem Ele é. 
Este é o ponto central de toda a história: quem Ele é! É a partir daqui que tudo muda e tudo se transforma em nós. Quando nos aproximamos deste verdeiro Cristo, tudo fica pequeno e pouco importante, porque nos sentimos seguros, livres e em paz. Conhecê-lo é o que mais precisamos agora.

sábado, 28 de novembro de 2015

Imagens do Messias - Um Rei, Filho de Davi

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Jesus, Filho de Davi - As imagens bíblicas  que apontam para Jesus, são uma maneira didática para nos ensinar a respeito do Nosso Senhor. Entre elas, encontramos a figura “Filho de Davi”. Mas o que isso explica sobre a pessoa e obra do Nosso Salvador?
A primeira frase do Novo Testamento apresenta Jesus Cristo da seguinte forma: “Livro da Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1.1).  As genealogias tinham um importante lugar na cultura dos judeus. Elas apontavam para a grande promessa dada a Adão (Gn 3.15), que fala que “o descendente” da mulher haveria de esmagar a cabeça da serpente. Desde então, as famílias de Israel passaram a esperar por este “filho”.
Abraão foi um destes agraciados pela promessa de um descendente (Gn 17.19). Dele, nasceu Isaque, o filho da promessa. Os anos se passaram, a família de Isaque cresceu e depois dos dias de Jacó, seu filho, um grande povo saiu do Egito, rumo à terra de Canaã. Os hebreus, agora, israelitas, se tornaram uma nação organizada.
Já na terra, escolheram um rei. O primeiro foi Saul, mas este não fez o que era reto perante o Senhor. Por isso, Deus tirou-lhe o trono, provendo para si um Rei, segundo o seu coração, Davi, o filho de Jessé. A Davi, Deus fez uma promessa a Davi: “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará a mim uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino (2Sm 7.12-13). Nestas palavras, podemos aprender importantes lições sobre o Messias. Destacamos aqui o fato de que Jesus veio ao mundo para reinar. 
Estabelecerei o seu reino - Deus deixa claro que a conquista realizada por Jesus, o Filho de Davi, não é o simples resultado do poder humano, mas do grande poder de Deus. Paulo diz que este poder foi exercido em Cristo e o colocou acima de todos os principados e potestades (Ef 1.19-21).
Edificará uma casa - Essa promessa é uma referência ao  templo, que seria construído por Salomão. As Escrituras nos falam de uma “Casa” ainda maior, o verdadeiro Templo do Senhor, feito de “pedras vivas”, a Igreja. Cristo, em seu ofício real, trabalha para edificar a Igreja, que é também chamada de “O  Corpo de Cristo” (Ef 1.23).
O Eterno Trono do Seu Reino - Juntos, o Rei e seu povo, o Cabeça e o Corpo, Cristo e a Igreja podem desfrutar da promessa de uma vida eterna de harmonia, de justiça e comunhão. Este reino eterno é o lugar dito nas  Escrituras: “...para mostrar, nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça e bondade para conosco” (Ef 2.7).
Um Reino de Luz que se levanta sobre a vida daqueles que clamam ao “Filho de Davi” que lhes socorra e lhes abra os olhos para que possam ver (Lc 18.41). A este mesmo Jesus, Rei pelo poder de Deus, construtor da nossa casa espiritual e eterno Rei, você também pode clamar: “Jesus, Filho de Davi, eu quero ver”. 

sábado, 14 de novembro de 2015

Imagens do Messias - O Filho de Abraão

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

“Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1.1). O Evangelho de Mateus apresenta a pessoa de Cristo e pontua especialmente sobre o fato de que era “filho de Abraão”. Mas o que isso quer dizer? De que maneira isso é importante para um cristão do século I? E para nós, do século XXI, qual o  valor desta informação?
A profecia mãe, Gênesis 3.15, anunciava a vitória sobre o pecado vindo de um descendente de Eva. As Escrituras trabalharão com a imagem do descendente messiânico durante todo o trajeto da História da Redenção. Quando este relato chega no capítulo 11 de Gênesis, depois da torre de Babel, as Escrituras se voltam para a história de um homem, Abraão.
Abraão se tornou uma das mais importantes personagens da história do povo de Deus. Não somente por ter sido o pai do povo hebreu, mas principalmente, por ter confiado em Deus e vir a se tornar o “pai dá fé” (Rm 4.11). Ele qualificou-se como modelo de esperança, no sentido de ter vivido neste mundo na busca de viver e trabalhar para que Deus, através de sua vida, cumprisse o grande propósito de redimir e abençoar pessoas do mundo inteiro: “Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: assim será a tua descendência” (Rm 4.18).
Jesus Cristo, filho de Abraão, é um sinal do governo de Deus sobre toda a história e da fidelidade de Jehovah que cumpre suas promessas. Jesus, é o filho da promessa e a esperança de Abraão. Foi por este filho, que Abraão lutou, sofreu e venceu suas batalhas pessoais, suas lutas contra poderosos inimigos e principalmente, os embates contra o seu próprio coração que precisava continuar crendo e confiando.
Judeus do primeiro século deveriam se sentir em paz pela realização das promessas de redenção e do poderoso plano de amor salvífico da parte de Deus. Quando Mateus anunciou Jesus Cristo como o filho de Abraão, falou da consumação da esperança do povo de Deus. Mas, o que isto significa para nós, brasileiros do Século XXI?
O apóstolo Paulo, que foi incumbido por Deus de anunciar o evangelho aos não judeus, disse o seguinte: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho à Abraão: em ti, serão abençoados todos os povos da terra” (Gl 3.8). Portanto, para nós, Jesus Cristo representa o mesmo plano de salvação que não nos excluiu, mas tornou-nos “filhos de Deus”.
Jesus Cristo, o filho de Abraão, é a nossa carta de adoção na família de Deus e também é a nossa esperança, a certeza do amor incondicional do Pai Celestial. As palavras de Mateus não consolam apenas os judeus dos dias de Jesus, mas produz fé também sobre todos os que crêem, porque Deus tem só um povo, aqueles que em Cristo são chamados, pela fé, “filhos de Abraão”.
Jesus Cristo, o filho de Abraão, é uma imagem que representa a nossa caminhada de fé, rumo às promessas de Deus. Ela nos conduz à extrema confiança na luta por ideais de fé que se realizam na nossa vida, quando apreendemos a crer, mesmo que seja contra a esperança e quando aprendemos a caminhar na direção certa, segundo a Palavra de Deus.