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sexta-feira, 13 de junho de 2025

O Amor é Sinal da Presença do Reino


Um dos conceitos mais importantes das Sagradas Escrituras é o conceito de "Reino".  A partir desta ideia propõe-se o princípio de que, em um determinado território ergue-se um poder régio, derivado da capacidade de um monarca de estabelecer as melhores condições de vida para um grupo, cujas regras definem os direitos e os privilégios desta população, garantidos pelo poder do monarca de manter essa ordem harmônica.

A Bíblia apresenta o Reino de Deus como uma ideia absoluta, não questionada e nunca relativizada: "Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade, porque teu é tudo o que há nos céus e na terra. Teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos" (1Crônicas 29:11).  Embora afirme o governo de Deus sobre todas as coisas, a Bíblia também admite que a rebelião de Satanás, assim como a rebelião do homem, são espaços de desordem, que afetam todo o Reino, no sentido de que, em alguma parte da Criação há o impedimento de viver a completa beleza do Reino, que é o desfrute da presença da realidade do próprio Rei.

Ao criar todas as coisas e estabelecer sobre elas as suas regras perfeitas, o Rei impregnou a beleza do seu ser no Reino. Portanto, o Reino é, em sentido amplo, uma forma de materialização da beleza perfeita do Rei. Desfrutar do Reino é desfrutar desta beleza e perfeição, o que implica em uma absoluta condição de felicidade.

O elemento fundamental da organização do Reino é a Lei, ou seja, o regramento, a partir do qual o Rei estabelece a sua vontade perfeita sobre tudo o que há. Por isso, a importante petição da oração do Reino: "(...) venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mateus 6:10). O regramento base do Reino de Deus é o "amor", que organiza o shalom de toda a realidade: "E o amor é este: que andemos segundo os mandamentos de Deus. Este mandamento, como vocês ouviram desde o princípio, é que vocês vivam nesse amor" (2João 1:6).

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16) - O amor de Deus está diretamente relacionado ao desejo de Deus de vencer o mal que está presente no mundo, ferindo a Criação com a falta da alegria da presença de Deus: "Ele nos libertou do Império das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho do seu amor" (Colossenses 1:13 - ARA).

A desestruturação da harmonia da Criação afeta a realidade, principalmente pela falta de percepção e desfrute do amor de Deus, ocasionada pela presença intrusa do mal: "E, por se multiplicar a maldade, o amor se esfriará de quase todos" (Mateus 24:12). O contrário é também verdadeiro, quando a amor chega, o Reino começa a ser percebido e a alegria se renova em todos os sentidos. A Bíblia nos revela o amor de Deus.

sábado, 1 de março de 2025

A Paz Que Excede Todo o Entendimento

E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus (Filipenses 4.7). Todos, de certa maneira e cada um à sua própria, desejamos alcançar um estado de vida pacífica! Esperamos uma condição em que a vida entre em um estado mais calmo, com certa tranquilidade para existirmos neste mundo.

Por isso, lutamos por construir um patrimônio, angariar fundos para uma aposentadoria digna, ver nossos filhos e suas famílias seguindo adiante sem maiores dificuldades. Esse projeto de vida tranquila e em paz é absolutamente legítimo e, podemos até dizer, necessário. Afinal, em nossa alma foi implantado, pelo próprio Deus que nos criou, um desejo real e sincero pela paz.

A paz de Deus - o Evangelho nos fala dessa condição de vida em paz, porém, ele nos faz considerar é que a paz que devemos almejar não tem como origem o esforço humano. Essa condição de vida tranquila e cheia de paz que a Escritura nos promete tem a ver com uma relação perfeita com aquele que é a fonte da “Verdadeira Paz”: “Que o Senhor da paz, ele mesmo, dê a vocês a paz, sempre e de todas as maneiras. O Senhor esteja com todos vocês” (2Ts 3.16).

Que excede todo entendimento - sobre esse projeto de paz que a Bíblia ensina, devemos também considerar que ela é uma realidade que não se constrói apenas com a nossa capacidade de organizar as as coisas a nosso redor. A “Verdadeira Paz” é fruto de uma relação espiritual com a vida. Isto é, a construção de uma relação verdadeira com o princípio que rege a nossa existência neste mundo que é viver para a “glorificar a Deus e desfrutar dEle para sempre” (Breve Catecismo de Westminster). Esse modo de viver para a paz tem resultados que ultrapassam a nossa capacidade de conhecer e realizar, é pela fé que se constrói essa relação de amor a Deus.

Guardará o coração e a mente - note que Paulo localiza os efeitos pacificadores da nossa vida no ambiente mais interior da nossa personalidade. Ele está nos dizendo que a Paz é uma realidade da alma, um modo de vivenciar as circunstâncias, baseado em nossos pensamentos e sentimentos sobre a vida. Isso deve ser construído numa relação de Fé com Deus.

Em Cristo Jesus - Paulo complementa o seu argumento mostrando que essa paz está fundamentada na pessoa e obra de Jesus Cristo. O coração e a mente devem estar arraigados e alicerçados no amor de Deus, que está em Cristo Jesus (Ef. 3.17). A paz que excede o entendimento é um presente para quem crê. Desfrute disto com urgência!

sábado, 11 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 1

 Amados irmãos, Deus tem nos motivado a pensar em uma jornada de fé em Fall River e, cada vez mais, sinto-me convencido da necessidade de vivermos um tempo de aprendizado discipular.

Depois de 24 anos de ministério pastoral, vivenciando muitos desafios e lidando com as dinâmicas de igrejas, concluo que há algumas coisas imprescindíveis para qualquer projeto ministerial e, uma destas coisas é o "desenvolvimento de uma cultura eclesial de crescimento, por meio do discipulado".

Nosso projeto de trabalho pastoral, nestes primeiros cinco anos de ministério na CTK-FR, com a graça e permissão de Deus, será focado no desenvolvimento deste ambiente discipular.

Desejamos iniciar esse movimento discipulador com os oficiais da Igreja, passando por diversas outras lideranças, grupos de famílias, faixas etárias, especialmente, jovens, adoles- centes e crianças, além do discipulado geral para o trabalho e o serviço da igreja na sociedade.

Jesus nos disse: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações" (Mateus 28.19) - Essa ordem de fazer discípulos implica em uma ação intencional de construir uma relação interpessoal de crescimento e estímulo ao convívio. Entendemos que a Igreja, enquanto segue a sua jornada neste mundo, precisa aprender a se tornar um lugar de convivência, visando o compar-tilhamento de fé e maturidade cristã. Nenhum crente é uma ilha e nenhum é menos importante. Somos como um arquipélago, isto é, somos conhecidos por nomes individuais, mas também por nossa unidade coletiva.

"Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mateus 28.19b) - Jesus também enfatiza que, essa relação interpessoal e intencional de crescimento, deve ter um foco institucional, visando a nossa unidade eclesial e força da nossa comunidade de fé.

Devemos fortalecer a nossa relação como o povo de Cristo, interagindo com o seu senhorio sobre nossa vida, de maneira orgânica e organizacional. Isso está presente na fórmula do batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (continua na próxima semana).

Rev. J. Mauricio P. Nepomuceno

sábado, 27 de outubro de 2018

Antecedentes da Reforma - Os Concílios Ecumênicos


Com o crescimento numérico do Cristianismo e o aumento da complexidade da Fé Cristã, advinda das diversas lutas contra heresias e o seu desenvolvimento teológico, duas importantes mudanças se fizeram necessárias: a primeira foi a necessidade de uma organização formal do Cristianismo, que nos três primeiros séculos se construía de forma local e informal; a segunda necessidade era a de busca de uma identidade e unidade teológica.
Desde os dias dos apóstolos estas necessidades já eram vistas, como podemos identificar no livro de Atos, na controvérsia sobre a circuncisão dos não judeus: “Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: é necessário circuncidá-los e determinar que observem a lei de Moisés. Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Havendo grande debate...” (Atos 15.5-7). No início do IV Século, a igreja possuía uma vasta rede presente em toda a extensão do Império Romano, além dos mais diversos tipos de conceitos sobre alguns assuntos, especialmente a pessoa teantrópica de Cristo (Deus-homem).
O imperador Constantino, convertido ao Cristianismo ou ao menos dele simpatizante, percebeu a força da presença da Igreja e usou de sua influência para unir e organizar a Cristandade. Quando construiu sua capital, Constantinopla, convocou uma grande reunião de bispos, das mais variadas opiniões, para definirem a unidade teológica da igreja em torno da pessoa de Cristo. Ele custeou uma reunião na cidade de Nicéia, vizinha à Constantinopla.
Em 325, reuniram-se 318 bispos de diversas parte do Império para tratar das controversas opiniões sobre a divindade e a humanidade de Cristo. Este concílio durou seis meses e produziu várias decisões, inclusive a deposição de bispos heréticos e novas regras de ordenação do bispado. Além destas coisas, legou para história o famoso Credo Niceno, uma fórmula de fé, baseada nas Sagradas Escrituras, que até os dias de hoje, toda a Cristandade aceita, inclusive os protestantes.
O Cristianismo passou a adotar o sistema conciliar como método para dirimir suas dúvidas e conduzir a sua Igreja. Do mesmo modo como em Atos, quando a decisão precisou ser promulgada e difundida, assim o cristianismo também, por meio das decisões dos Concílios se organizava e unia a sua enorme quantidade de igrejas e fiéis.
Quatro grandes concílios são considerados comuns a toda a Cristandade: Nicéia I (325), Constantinopla (381), Éfeso (431) e Calcedônia (451). Desta forma a igreja tratava as heresias e sempre retornava aos princípios das Sagradas Escrituras. Desta forma, a Igreja Cristã mantinha e reforçava sua unidade. Assim a fé Cristã se desenvolveu ao longo de toda a Baixa Idade Média, nos seus primeiro cinco séculos de existência.


sábado, 13 de outubro de 2018

Antecedentes da Reforma - Nos Dias da Igreja Primitiva


A Reforma Protestante de 1517 foi um movimento de transformação do próprio Cristianismo. Como numa casa, de vez em quando, fazemos uma limpeza retirando entulhos acumulados e ou reformamos cômodos que estavam deteriorados, as teses de Martinho Lutero foram o começo de um grande movimento de limpeza na teologia e prática da Igreja Cristã.
Com maior ou menor impacto, movimentos de limpeza e revisão da teologia e prática da Igreja Cristã já haviam acontecido em outros momentos da história. Afinal, desde o inicio da Igreja Cristã, mesmo ainda no período apostólico, sempre foi necessário reavaliar e reorganizar a vida da Igreja, trazendo-a de volta à pureza da crença e prática da fé, por meio da Palavra de Deus.
Paulo exortou os crentes de Corinto a retornarem à simplicidade do Evangelho (2Co 11.3-4), o que também já havia dito aos gálatas (Gl 1.6-9). João exortou os crentes da Ásia Menor a atentarem contra os falsos ensinos que estavam se cristalizando através da ação de falsos mestres e os seu espírito do erro (1Jo 4.1-6). Judas, por sua vez, resolve escrever uma carta, procurando prevenir a igreja contra práticas inoportunas que se instalaram na Igreja (Jd 1-4).
Ao longo de todo o período inicial do Cristianismo, chamado “Primitivo” e depois da morte dos apóstolos, foram necessários movimentos de purificação e correção do Cristianismo, trazendo de volta à crença e prática da Palavra de Deus.
O livro de Apocalipse é entregue às Igreja da Ásia Menor com uma série de recomendações à pureza da Igreja, exortando os irmãos ao perceberem seus erros teológicos ou de prática eclesiástica, convocando-as à reforma de sua visão e prática da fé: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Ap 2.4-5).
Portanto, como se pode notar, desde o período apostólico, a Igreja Primitiva é chamada a estar em constante “Reforma”, por isso é que dizemos: “Igreja Reformada Sempre Reformando”. Este movimento não é de mudança, mas sempre de “retorno”, sempre de reorganização da fé e da prática, segundo Palavra de Deus.
É sempre possível que nos afastamentos da simplicidade do Evangelho, incluindo em nossa prática pessoal e coletiva elementos que não estão de acordo com Palavra de Deus, por isso, sempre precisamos de “reformadores” que nos alertem e nos conduzam de volta.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A Teologia da Ressurreição: Fé e Prática

O evento da ressurreição de Jesus Cristo foi o evento redentivo da vitória do Senhor sobre a morte e a primordial “boa nova” (evangelho) a ser anunciada entre os homens: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça (At 4.33).
Ser um “evangélico” é ser um propagador da boa nova da “morte e ressurreição de Cristo” e “todas as suas implicações para a vida cristã”. Desta forma, os autores do Novo Testamento, desenvolveram uma relação teológica com a ressurreição de Cristo, estabelecendo, principalmente dois pontos: a veracidade da ressurreição e o poder transformador dela para a vida cristã.
“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.3-4). Neste capítulo, Paulo dedica um grande espaço para ensinar o significado da ressurreição. Ele, entretanto, inicia este ensino, com uma grande sequência de afirmação da veracidade da ressurreição com as provas irrefutáveis de que ele havia aparecido para os apóstolos, outros 500 irmãos de uma única vês e. por fim a ele próprio (1Co 15.1-8).
Sem dúvida a possibilidade e a veracidade da ressurreição sãos aspectos fundamentais da “fé evangélica”. Os apóstolos buscaram desenvolver teologicamente quais as implicações  da ressurreição para a nossa ligação com Cristo e trabalharam primordialmente a percepção mais apurada do que significa “nova vida em Cristo”: : “...oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6.13).
Paulo compreendia que havia um “poder transformador” na ressurreição de Cristo e que este poder deveria ser alcançando por meio de uma conformação da vida cristã ao novo padrão estabelecido pela ressurreição de Cristo: “...e ser achado nele, não tendo justiça que procede da lei, se4não a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé, para o conhecer, e o poder da sua ressurreição (Fp 3.9-10).
Enfim, o que podemos dizer sobre o que os autores do Novo Testamento produziram para explicar a ressurreição é que eles se dedicaram em conduzir a Igreja na crença à verdade de que Cristo Vive e que Sua vida deve ser reproduzida na conduta cristã: “Chegando-vos a ele, a pedra que vive (...) também vós mesmos como pedras viventes (...)” (1Pe 2.4-5).


sexta-feira, 5 de abril de 2013

A Força da Verdade Contra a Mentira


Autor: Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

O Cristianismo tem sobrevivido a muitas dificuldades. Nos primeiros séculos, a Fé Cristã, sofreu intensa perseguição. Durante a Idade Média, teologias nocivas penetraram nas fileiras da Igreja e costumes do paganismo procuravam desfigurar a fé cristã genuína. Não faltaram aqueles que intentaram contra a Fé Cristã sugerindo sua morte, ou acusando-a de preconceito e anti-intelectualismo.
Todas estas ameaças, ataques e difamações foram vencidas pela Fé Cristã. As suspeitas sobre o futuro do Cristianismo sempre se levantam e ainda não faltam aqueles que preconizam sua morte ou seu infortúnio. A questão, para a qual chamo a sua atenção nesta mensagem é: o que levou e leva o Cristianismo a sobreviver a tantos ataques e forças contrárias?
Um dos momentos mais marcantes da vitória do Cristianismo sobre os levantes contrários está registrado no livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 5. Os líderes do judaísmo, em particular o Sinédrio, liderado pelo Sumo Sacerdote, procuravam fazer calar a voz dos apóstolos. Estes, entretanto, estavam dispostos a dar a vida, pois sabiam que pregavam a verdade de Deus, diziam eles sobre a ressurreição e sobre Jesus de Nazaré ser o Cristo: “ora, nós somos testemunhas destes fatos (Atos 5.32). Esta convicção da verdade impulsionou e encheu de coragem a igreja primitiva e os seus principais representantes, os apóstolos.
Naqueles momentos, os inimigos da fé, acusando-os de blasfêmia e outras mentiras, tentaram matá-los. Foi a intervenção lúcida e providencial de um homem sábio que os livrou. Este homem era Gamaliel, professor daquele que seria conhecido como o pregador dos gentios, o apóstolo Paulo.
Gamaliel, acatado por todos, lhes dirige palavras cheias de sensatez, levando os judeus a
pensarem melhor sobre o que estavam por fazer àqueles homens (os apóstolos). No bojo de seus argumentos temos as seguintes Palavras: “...deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los” (Atos 5.38 e 39).
A mentira jamais destruirá a verdade. A força da nossa fé vem de sua origem: Deus. Quero incitá-los a confiarem nas verdades que lhes foram anunciadas e convidá-los a permitir-lhe invadir e encher cada espaço de sua mente e recanto da sua alma. Desta forma, seremos tomados da força vital, que move os que creem na Verdade.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vida Controlada Pela Fé


Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Para muitas pessoas, “ver com os olhos da fé” pode ser apenas um jargão, para outros uma frase para quem deseja muito crer em algo impossível, contudo, “ver com os olhos da fé” é um exercício de vida, uma capacitação que nos permite confiar em Deus de uma maneira que nos faz seguir em frente sempre.
Certa vez, uma jovem sentiu-se muito triste com sua fé, porque não tinha tantas convicções e certezas sobre sua vida com Deus. Tinha dúvidas quanto ao perdão, o céu e tantas coisas que acreditava que deveriam ser inquestionáveis para ela. Com tantas dúvidas, pensou que poderia ser uma pessoa sem fé.
Não obstante haver alguns significados distintos para o termo “fé” na Bíblia, neste momento desejo falar de “fé” como aquela confiança em Deus que devemos ter. Isso nos perturba pois, muitas vezes, mesmo crendo em Cristo e confessando isso, sentimo-nos falhos, quando temos de seguir em frente sem muita segurança em Deus. A exemplo daquela jovem que eu mencionei, há muitas pessoas que se sentem inseguras com a sua aparente falta de confiança em Deus e eu acredito que precisamos entender um pouco sobre o que Deus espera de nós neste sentido.
A Bíblia diz: “(...)o justo viverá por fé”(Rm 1.17b), e mais: “Fé a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1). Nos dois casos, há uma perspectiva que você deve considerar, que é a idéia de que ter fé, não é ter em mãos todos os dados para a certeza, mas crer sem  precisar deles.
Em outras palavras, o que eu quero dizer é que ser uma pessoa de fé não é ter uma certeza absolutamente comprovada de tudo o que Deus nos ensina. Mas é seguir em frente depositando nEle uma confiança, que muitas vezes, desafia nossa própria capacidade para crer. Fé e decidir crer no que Deus diz e viver por isto. 
Veja o exemplo registrado   em João 4.46 a 54. Um homem pediu para Jesus ir à sua casa para curar o seu filho, mas ele não foi, porém disse ao homem que voltasse para casa com a certeza de que o filho vivia. O homem, simplesmente foi, por que creu naquilo que Jesus havia lhe dito.
Ter fé é seguir em frente, mesmo quando você não sabe o que acontecerá, ou sequer consegue absolutamente encontrar todos os motivos para seguir. Você vai porque deposita em Deus todas as suas esperanças e confia que Ele fará o melhor, se dispõe a ir somente porque Deus disse: Vá!. Eu não preciso ter um pedaço das ruas de ouro do céu (se lá houver) para crer que existe este lugar, eu só preciso confiar no que Deus disse a respeito disto. 
Esse foi o modo como Abraão abraçou o chamado de Deus para a sua vida. Ele foi, mesmo sem saber ao certo o que esperar, contudo, teve por Fiel Aquele que lhe fez a promessa. Em nossos dias, precisamos de homens e mulheres que estejam dispostos a arriscar na jornada da fé. Pessoas que confiem no que Deus diz e se deixam controlar por isso. Não, esse não é um passo na irracionalidade. Ao contrário, é um passo na direção dAquele que é a razão da nossa fé.
Siga em frente, siga o caminho apontado por Deus, tenha fé!