domingo, 2 de fevereiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 4

A Natureza Pedagógica do Discipulador

“Voz do que clama no deserto: Preparem o caminho do SENHOR, endireitem as suas veredas” (Lc 2.4b).

João Batista foi o precursor de Jesus Cristo. Ele abriu caminho para o início do ministério glorioso do SENHOR. De certa maneira, por conta deste papel preparador do caminho do Senhor, podemos dizer que João Batista exemplifica o ministério de um discipulador.

O discipulador, antes de qualquer outra intenção, deseja levar pessoas a Cristo Jesus. João Batista exerceu esse papel, seguindo alguns princípios magistrais podemos levantar no texto de Lucas 6.1-6.

A palavra de Deus veio a João, filho de Zacarias, no deserto - a realidade a partir da qual João estava pregando aos homens é de uma terra desértica. Claro que, literalmente ele pregava no deserto da Judeia, mas esse fato tinha um propósito pedagógico divino de fazer os homens, que desejam se aproximar de Deus, perceberem a condição caótica de suas vidas.

Discipular é, entre tantas coisas, também levar o homem a encarar a si mesmo e sua condição de total perdição diante de Deus. Isso significa levar o homem à consciência do deserto de sua alma. As roupas de João, sua comida, seu lugar, tudo isto apontava para o deserto da alma.

Batismo de arrependimento para remissão de pecados - João não anunciou uma graça barata; um tipo de relacionamento com Deus que nada exige. Ao contrário, por conta da consciência do deserto de nossa alma, a reação de tristeza pelo pecado é o passo seguinte do discipulado de João Batista.

Ou seja, no discipulado de João o homem é levado a rejeitar sua vida de pecado. O batismo simbolizava essa nova consciência e um compromisso com o abandono do modo fútil e pecaminoso de vida, para uma aliança de santidade com o Senhor. Arrependimento e perdão, são as palavras que simbolizam esse compromisso, feito no batismo, como fruto de uma nova consciência do discípulo.

Transformação e salvação que vem de Deus - na parte final deste trecho, João mostra que a aproximação do Senhor, anuncia um tempo de renovação, liberdade e transformação. O discipulado é a condução do homem ao convívio com uma nova vida, a salvação que transforma o deserto em um lugar habitável.

O desejo de tornar a sua existência em um lugar cheio de verdadeira vida é o resultado de um processo de discipulado, cuja finalidade é levar o homem a conhecer Jesus, a fonte da vida! Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6).

João cumpre este papel de “pedagogo”, aquele que nos toma pela mão e nos conduz para mais próximo de Cristo, uma vez, que, primeiramente, ele nos leva a perceber que precisamos de Cristo. Uma igreja discipuladora prepara o caminho do Senhor para que os mortos, encontrem vida!

domingo, 26 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 3

Ame o seu próximo como vc ama a si mesmo (Lc 10.33) – ao mencionar um exemplo prático como a doutrina pode ser vivida, quero partir de um fato que envolve a todos nós, mas em especial, os irmãos e suas famílias em condição imigrante na América.

Novo Governo Trump e a Oportunidade Para Discipular

Até onde venho acompanhando, sei que há imigrantes brasileiros e de outras nacionalidades em condições diferentes vivendo na América. Em geral, em nossas igrejas, o que temos são pessoas trabalhadoras, que buscam, no famoso “sonho americano”, condições de vida digna para si e suas famílias. Também, devemos lembrar que os Estados Unidos da América, ganham muito com a força de trabalho destes homens e mulheres trabalhadores e honestos que pagam suas taxas e contribuem para o crescimento e o bem dessa sociedade.

Mudanças provocadas pelo início do segundo mandato de Donald Trump, à frente da Casa Branca, provocaram oportunidades, dadas por Deus, para vivermos de um modo que Deus seja glorificado. Eu, particularmente, acredito que esse é o nosso dever! Penso que este tempo pode mudar nossa fé.

Irmãos mais experientes, que moram com vocês na América, com os quais conversei nestes dias, me tranquilizam dizendo que tudo é muito novo, precisam esperar o governo chegar e se acomodar. Mas como uma tempestade, tal como essa, pode modelar a nossa fé?

Considerando que existem diferentes condições em que irmãos vivem na América, os que estão mais tranquilos e seguros devem servir os demais abrindo-lhes seu coração em amor, oferecendo a ajuda que precisam para que suas vidas sigam a paz.

Essa tempestade, pode nos fazer mais solidários em amor ao próximo: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1Jo 3.16).

Perceber o sofrimento do irmão e socorrê-lo em suas fraquezas é mais que um ato de generosidade. Na verdade, isso faz discípulos! Pois essa é uma maneira vivencial de praticar a doutrina e imitar Cristo, que deixou tudo para nos socorrer.

Como podemos perceber e aplicar a partir deste exemplo, as oportunidades de vivenciar aquilo que aprendemos no ensino discipular doutrinal segundo a Palavra, sempre será um desafio de tornar real, prático e concretos os valores da nossa fé.

Todas as circunstâncias, e o novo governo Trump e suas decisões não são diferentes, sempre nos oferecerão a oportunidade de vivermos de forma discipular no cuidado do outro e no seu acolhimento.

sábado, 18 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 2

Ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês" (Mateus 28.20) O texto da grande comissão deixa claro que a nossa relação interpessoal discipular tem uma natureza pedagógica. Portanto, servimos, uns aos outros como instrumentos do ensino da Palavra.

Primeiramente, pensemos sobre o que é o ensino que a Bíblia apresenta no contexto desta passagem. E o primeiro ponto é fazer uma distinção, entre o ensino doutrinal e o ensino vivencial. Eles caminham juntos e um não se sobrepõe ao outro, mas se complementam.

O ensino doutrinal é aquele que me leva ao conhecimento da doutrina e do plano de Deus para a humanidade. O ensino vivencial é aquele que me ajuda a aplicar o primeiro, de forma prática, materializando o que o meu coração aprende na doutrina.

Por exemplo, pensemos na lição que Jesus nos deu ao resumir a lei em dois mandamentos: Jesus respondeu: "Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu entendimento." E: "Ame o seu próximo como você ama a si mesmo." (Lc 10.33) - Jesus tem uma intenção doutrinal, ao estabelecer claramente como o decálogo deve ser compreendido. Mas, logo a seguir, ele conta a famosa parábola do Samaritano, que aplica de modo prático esse conhecimento doutrinal.

A Igreja é um corpo de discípulos em constante transformação e crescimento. Esses fenômenos da vida cristã acontecem por meio de um processo pedagógico, estabelecido em dois polos: a doutrina e a vida.

Nossa Igreja deve desenvolver, cada vez mais, o seu gosto e anseio pelo conhecimento da Palavra. A doutrina deve ocupar lugar especial em nossa maneira de viver o Cristianismo, como sei que muito já se tem empreendido neste sentido em Fall River.

Por outro lado, esse conhecimento tem de se materializar em nossas ações de comunhão uns com os outros na família e na Igreja, mas também com os de fora, que ainda não conhecem a Cristo. Portanto o convívio também deve ser um componente importante da nossa condição de Igreja de imigrantes.

Rev. José Maurício Passos Nepomuceno

(continua no próximo...)

 

 

sábado, 11 de janeiro de 2025

Uma Igreja Discipuladora - Parte 1

 Amados irmãos, Deus tem nos motivado a pensar em uma jornada de fé em Fall River e, cada vez mais, sinto-me convencido da necessidade de vivermos um tempo de aprendizado discipular.

Depois de 24 anos de ministério pastoral, vivenciando muitos desafios e lidando com as dinâmicas de igrejas, concluo que há algumas coisas imprescindíveis para qualquer projeto ministerial e, uma destas coisas é o "desenvolvimento de uma cultura eclesial de crescimento, por meio do discipulado".

Nosso projeto de trabalho pastoral, nestes primeiros cinco anos de ministério na CTK-FR, com a graça e permissão de Deus, será focado no desenvolvimento deste ambiente discipular.

Desejamos iniciar esse movimento discipulador com os oficiais da Igreja, passando por diversas outras lideranças, grupos de famílias, faixas etárias, especialmente, jovens, adoles- centes e crianças, além do discipulado geral para o trabalho e o serviço da igreja na sociedade.

Jesus nos disse: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações" (Mateus 28.19) - Essa ordem de fazer discípulos implica em uma ação intencional de construir uma relação interpessoal de crescimento e estímulo ao convívio. Entendemos que a Igreja, enquanto segue a sua jornada neste mundo, precisa aprender a se tornar um lugar de convivência, visando o compar-tilhamento de fé e maturidade cristã. Nenhum crente é uma ilha e nenhum é menos importante. Somos como um arquipélago, isto é, somos conhecidos por nomes individuais, mas também por nossa unidade coletiva.

"Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mateus 28.19b) - Jesus também enfatiza que, essa relação interpessoal e intencional de crescimento, deve ter um foco institucional, visando a nossa unidade eclesial e força da nossa comunidade de fé.

Devemos fortalecer a nossa relação como o povo de Cristo, interagindo com o seu senhorio sobre nossa vida, de maneira orgânica e organizacional. Isso está presente na fórmula do batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (continua na próxima semana).

Rev. J. Mauricio P. Nepomuceno

domingo, 21 de julho de 2024

Glorificando a Deus na Igreja

Como todos os leitores assíduos da Bíblia, eu passo por diversos textos algumas vezes e, de repente, uma expressão, um verso, uma história me chama a atenção de uma forma diferente. Hoje quero compartilhar como soou diferente para mim a leitura do texto em Efésios 3.21: “...a Ele seja a glória, na Igreja e em Cristo, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”

A expressão deste texto que me chamou a atenção de forma diferente é: “...a Ele seja a glória, na Igreja...”. Sem nenhuma dúvida posso admitir com tranquilidade que a Glória de Deus em Cristo é algo tranquilo de se compreender, mas me chama a atenção que o pensamento de Paulo sobre a Igreja é de uma elevada estima, a ponto de propor que a glória de Deus na Igreja esteja, em alguma medida, paralela à glória de Deus em Cristo.

A Carta aos Efésios é uma carta eclesiológica. Ela trata de forma especial a visão dos crentes de Éfeso sobre o significado e lugar da Igreja nos planos eternos de Deus: “E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo e a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1.22-23). Sem dúvida alguma esse verso já nos mostra a importância da Igreja no plano eterno de redenção.

A Ele seja a glória, na igreja e em Cristo - Cristo e a Igreja estão unidos em um único propósito eterno, restaurar o ciclo da glória, que foi criado por Deus para se fechar no coração do homem, quando este, está habilitado a viver no mundo de Deus em um encontro verdadeiro, contínuo e profundo com o Cristo. Este encontro é cheio de alegria e desfrute, alegrando o homem e alegrando Deus na sua Criação.

Por todas as gerações, para todo o sempre - Um compromisso que deve ser empreendido em nossa atual existência, ainda sob a presença do pecado, como um compromisso da Igreja de prover gerações de filhos do Senhor para reconhecerem a sua glória. Estes filhos são chamados a experimentar uma antecipação da própria eternidade, onde, quando já estivermos livres do pecado, continuaremos no processo de dar glória a Deus.

A Igreja, portanto, no presente e no futuro eterno, tem a missão de viver para glorificar a Deus!

domingo, 14 de julho de 2024

O Temor do SENHOR é o Princípio do Servir


Em geral, temos uma forte tendência à inconstância no que diz respeito ao nosso trabalho para o Reino de Deus. Damos dois ou três passos positivos para a construção de uma vida de prioridade ao Reino e um ou dois passos à trás.

“Agora, pois, temam ao Senhor e o sirvam com integridade e com fidelidade” (Js 24.14) - Josué exortou o povo da Aliança a fazer uma profunda reflexão, agora que estavam para entrar na terra que Deus lhes havia prometido. Eles deveriam posicionar-se diante da realidade que lhes foi exposta quando Deus os libertou do Egito: viveremos agora para o Deus que nos libertou?

Agora, pois, (...) - Notem como o texto faz a transição do tema: “Eu lhes dei uma terra em que vocês não trabalharam e cidades eu vocês não haviam construído. Vocês estão vivendo nessas cidades, e comem das vinhas e dos olivais que não plantaram” (Js 24.13). Josué os convoca a olharem para a sua história e considerarem o que Deus está realizando na vida deles e tomarem uma decisão.

Todos nós precisamos considerar como Deus se introduziu em nossa história, como ele deu sentido à nossa jornada e, portanto, todos temos o dever de fazer a mesma reflexão.

Temam a Deus - todo o restante do capítulo é a apresentação do contraste entre a prioridade e amor a Deus e o a troca de Deus por outros deuses. Tudo começa em um conceito introjetado no coração: “temam a Deus”. O temor do Senhor, completa a Escritura, é o princípio da sabedoria (Pv 1.7). A consideração da realidade de Deus em nossa vida é o ponto central da própria vida e do caminho e rumo que ela tomará.

Há uma realidade que todos precisamos enfrentar, o amor de Deus, manifesto em como ele nos conduz nesta terra. A consciência deste amor deverá nos mover e nos responsabilizar sobre o que devemos fazer. Viveremos ou não para aquele que nos amou?

Servir com integridade e fidelidade - há somente uma forma de agradar a Deus e não se trata de meras palavras ou intenções, mas com ações que nos coloquem integralmente a serviço dele, revelando ser Ele o alvo da nossa vida e também a verdade de nosso amor, sem que nos desviemos desta prioridade, por nenhuma outra preferência. O temor do Senhor é o começo do meu serviço!

 

 

sábado, 6 de julho de 2024

Construa Uma Visão Bíblica do Conceito de Igreja

Uma das principais transições conceituais da Palavra de Deus é o importante significado do Templo no Antigo Testamento para a sua incorporação no conceito de “Corpo de Cristo” no Novo Testamento. Em sua revelação progressiva, Deus desejou construir uma mentalidade conceitual sobre o que é o seu povo com a finalidade de nos fazer compreender a nós mesmos, quem somos e como devemos nos ver e construir para Deus. 
A sombra conceitual do Antigo Testamento, apresentada na figura do Templo, nos faz compreender o Corpo Vivo de Cristo, que é a Igreja, como um processo a ser construído em nossa relação. A Igreja não é algo pronto e imediato, que acontece a despeito da minha vontade e da minha participação. Assim como o Templo é construído, a Igreja também o é. 
Nos dias de Davi, quando Israel foi incumbido de construir um Templo a Deus, para substituir o Tabernáculo móvel do deserto, a Casa seria instalada majestosamente no Monte Sião e o povo deveria se esforçar para oferecer recursos para essa construção e este foi um dos momentos mais felizes do povo de Israel que se esforçou em ver este plano realizado, concretizando-se nos dias de Salomão: “O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente, porque de coração íntegro fizeram ofertas voluntárias ao Senhor” (1Cr 29.9). Já nos dias do profeta Ageu, quando os alicerces do Templo são lançados, um contraste interessante é apresentado, pois há um completo desinteresse com a Casa de Deus: Acaso é tempo de vocês morarem em casas luxuosas, enquanto este templo permanece em ruínas?” (Ag 1.4).  interesse 
Tudo isso nos é apresentado no Antigo Testamento para construir uma mentalidade Cristã no Novo sobre o que é e qual a importância da minha relação com o Corpo de Cristo. Portanto, façamos uma reflexão sobre sobre qual dos dois momentos bíblicos, melhor representa o modo como nos relacionamos com a Igreja atualmente? Valorizamos ou desprezamos? Nos dedicamos ou abandonamos? Priorizamos ou deixamos em segundo plano? 
Verdadeiros adoradores, que o adorem em Espírito e em Verdade, serão encontrados entre aquele que conseguiram transitar do conceito estático de um templo físico para a ideia orgânica de um Templo Vivo, que se constrói com amor e dedicação, assim como podemos fazer, quando estamos construindo uma casa física para abrigar o Povo de Deus.