sábado, 17 de fevereiro de 2018

A Estação da Cruz

Autor: Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

Quem assistiu os filmes de J.K. Howling, a série “Harry Potter”, está bem lembrado da “King’s Cross Station” (Estação Cruz do Rei) que, quase sempre, no início do filme era o cenário de partida de todos os alunos que se dirigiam à Escola de Magia de Hogwarts. Mas se você não assistiu o filme, também consegue compreender a importância do nome desta fictícia estação: Cruz do Rei.
"A Sombra da Morte" - Willian Holmes Hunt 
Um dos mais famosos quadros do movimento pré-rafaelita é do britânico Willian Holmes Hunt que se chama: “A Sombra da Morte”. Nele, o pintor retrata a carpintaria onde Jesus Cristo trabalhava com José, seu pai (Mc 6.3; Jo 6.42). A cena apresenta Jesus no centro do quadro, voltado para a luz, tendo sua sombra refletida na parede de fundo da carpintaria que, somada à paisagem do lugar das ferramentas, criava a figura da crucificação.
Eu acredito que este quadro retrata exatamente o que foi a vida de Cristo, isto é, um viver em direção à Cruz. Da mesma forma, creio que a “Estação da Cruz do Rei” também seja uma maneira correta de lembra  que, no caminho da coroação e da glória, Jesus teria de passar pela estação da Cruz.
Ao iniciar o seu Evangelho, Marcos nos diz que escreve para relatar a respeito de Jesus Cristo, o Filho de Deus. A certa altura da sua história, Jesus começou a ensinar que “era necessário passar pela Cruz” (Mc 8.31). Um detalhe importante do modo como Marcos apresentou este ponto da vida de Jesus é fato de que ele nos diz Jesus “ensinou sobre a necessidade da cruz” e não só anunciou um fato inevitável.
Certamente, a Cruz era uma passagem obrigatória para que Cristo Jesus completasse a sua obra e alcançasse a glorificação (Jo 17.1-3). Ele, entretanto, não somente nos chama a conhecer esta história e trajetória, mas nos convoca a fazer parte dela, carregando nós mesmos as marcas da sua cruz, afinal ela é a nossa glória (Gl 6.14-17).
Maturidade de fé implica no desenvolvimento de uma percepção daquilo que realmente vale a pena, do que enfim é o ponto importante da nossa existência, ou seja, aprender que  grande valor de tudo o que vivemos e desfrutamos na vida está no quanto tudo pode nos levar a uma relação pessoal e profunda com Deus.

Cena do Filme - Harry Potter e a Pedra Filosofal
Jesus, tendo em mente essa necessidade, ensinou aos seus discípulos o quanto era necessário que ele fosse levado à cruz. Mas, logo em seguida, apontou aos próprios discípulos o quanto é necessários que eles carreguem a sua própria cruz: “...a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34). Sem dúvida, a cruz é uma estação necessária para que sejamos aperfeiçoados e preparados para uma vida plena com Deus. Não existe atalhos para quem deseja servir ao Rei. A Cruz do Rei é o nosso ponto de partida e nossa garantia de chegada.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Operando no "Modo Amor"

Todo organismo saudável apresenta níveis naturais de crescimento. Espera-se que o desenvolvimento de um corpo vivo se revele na sua capacidade de alcançar maturidade, isto é, empreender algum tipo de crescimento. A Igreja não é diferente, afinal, ela também é um corpo vivo e pode ser acompanhada em termos de seu desenvolvimento, quer numérico ou amadurecimento espiritual e moral.
No entanto, como realmente devemos encarar o crescimento de uma igreja? O que devemos esperar? Será mesmo correto pensar que nada devemos fazer e que o crescimento virá sem nenhuma parcela do trabalho de todos nós? Será que devemos ser mais pragmáticos e promover ferramentas de crescimento, como aumento de eficiência na captação de novos membros?
O apóstolo Paulo parece indicar que a ferramenta do crescimento de uma igreja passa pela capacidade de “operarmos no modo amor”: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef. 4.15-16).
O ideal da maturidade cristã tem um padrão e este é a “verdade”. Ela é quem deve ser o guia do crescimento da igreja em todos os sentidos. Não existe maturidade sem verdade. Até mesmo o crescimento numérico deve ser considerado saudável, quando as pessoas estão agregando-se ao corpo, por causa da verdade, quando esta lhes atrai.
O sinal mais óbvio da operação da “verdade” é o “amor” que ela causa. A Lei de Deus é resumida na palavra “amor”, portanto, toda a verdade nos conduz à prática do amor. Seguir a verdade em amor não está se referindo ao amor que devotamos à verdade, mas o amor que a verdade provoca em nós.
A verdade nos faz amar mais a Cristo e ao próximo, por isso, ela nos leva à uma relação de completa intimidade e obediência ao cabeça, tanto quando nos faz cooperar com ele, através do cuidado e apoio que devotamos uns aos outros.
Esta é fórmula de crescimento que emerge da Palavra da Verdade, a qual afirma que o amor é um alvo da vida cristã. Esse amor de que falamos não significa ausência de imperfeições, mas uma capacidade grande saber trabalhar para que todos sejam aperfeiçoados, afinal, todos somos fracos e falhos. A nossa estratégia é a de saber suportar uns aos outros em amor.

Ao final, mais um alerta:  operar no modo amor, não se trata efetivamente de medir o quanto as pessoas nos amam, mas, primordialmente, do quanto nós amamos e estamos dispostos a deixar-nos amar.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Antecedentes da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa - Parte 5 - 01/01/59

IPBVF - Década de 60
O ano de 1959 seria muito especial para o presbiterianismo brasileiro. Afinal, aquele seria o ano do Centenário da Igreja. A IP do Brás era pastoreada pelo Rev. Boanerges Ribeiro, homem arguto, enérgico e um visionário. Com ele, a igreja do Brás se tornaria uma forte plantadora de novas igrejas.
Após a compra do terreno da Rua Arapoca no final de 1957, os presbiterianos da Vila Formosa dedicariam o ano de 1958 à construção de um pequeno salão e foi assim que registraram esta intenção: “Resolve-se começar os estudos para aproveitamento do terreno, imediatamente levantando no mesmo um pavilhão de 12 metros por 8 metros, construindo-se da forma mais simples possível, a fim de que, se for o caso, facilitar sua demolição na ocasião que se construir o templo definitivo”.
A ousadia, coragem e desprendimento destes irmãos, chefiados pela forte liderança do Rev. Boanerges e o empenho daquelas poucas famílias fez com que o plano fosse posto em operação. A IP Brás, solicitou ao Presbitério de São Paulo a ordenação do jovem bacharel em teologia, Daniel Mariano da Silveira e o fez seu pastor auxiliar em 1958, designando-o para trabalhar na Congregação de Vila Formosa. Foi um ano de muito trabalho, coroado com muito êxito e a consolidação de um forte grupo de irmãos.
No dia 01 de janeiro de 1959, designada pelo Presbitério de São Paulo, reuniu-se no salão da Congregação a Comissão Organizadora da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa. Presidida pela Rev. Boanerges Ribeiro, tendo como convidado especial o Rev. Jacob Silva, que pregou o texto de Mateus 16.13 a 20. Naquele dia, foram arrolados 84 membros para a congregação.
Membros Maiores - Anailda A. Barreto, Acelino Fernandes, Augusta Barbosa, Alice Azevedo, Antonieta Fernandes, Anastácia A. dos Santos, Augusta Agostinho da Silva, Aquila Pereira, Benedito R. de Carvalho, Carmem Oliveira, Clemente Lopes da Silva, Catarina Pereira Garcia, Delfino de Oliveira, Doracinda Coutinho Ramos, Doraci Fernandes Machado, Dimas Izidoro Melo, Daniel P. da Silva, Deise Fernandes Machado, Dimei Teixeira, Denir Pereira de Souza, Eurípedes R. Carvalho, Eunice Aguiar dos Santos, Edite Batista da Silva, Eli Batista de Vasconcelos, Eliezer Batista de Macedo, Elisa Pereira Toledo, Elizete Cipriano de Oliveira, Francisco Marcelino da Silva, Francisco Vieira de Morais Filho, Francisco dos Santos, Gerson Pereira da Silva, Gediel Pereira de Souza, Inez Terezinha da Sailva, Jair Machado Garcia, Josefa Afonso Martins, Josina Costa, Jetro Pereira da Silva, João Pereira de Souza, João J. Martins, José Rodrigues Veloso, Luzia Teixeira de Morais, Leázaro Pereira de Souza, Maria Barbosa de Carvalho, Mariana Morais, Maria Teixeira dos Santos, Maria de Oliveira, Miguel Pereira da Silva, Natalina Mascelani, Odete Agostinho da Silva, Paulo Machado, Paulo Mascelani, Paulo Antonio da Silva, Palmira Valim, Lucília Lopes da Silva, Paulo Rodrigues de Carvalho, Palmira Lorenzano de Carvalho, Rute A. da Silva, Renato Candido de Oliveira, Sebastiana Moreira, Zaqueu Galdino, Zulmira Costa, Berenice Batista Farias, Erondina Alvarenga.
IPBVF - Culto de Gratidão 59 anos - Fevereiro 2018
Membros Menores - Ademir Galdino, Cleide Teixeira de Morais, Cleide Pessoa Garcia, Cleonice Teixeira de Morais, Cleusa Teixeira de Morais, Claudete Teixeira de Morais, Ezequiel Cezar Silva, Doroty Fernandes Machado, Enéas Pereira da Silva, Getúlio Machado Filho, Georgina Lopes da Silva, Jesiel Martins, Jairo Galdino de Azevedo, Jael Galdino de Azevedo, Janete Lorenzano de Carvalho, Leny Pereira da Silva, Lúcia Rodrigues de de Carvalho, Jair Garcia Filho, Milton Lorenzano de Carvalho, Marcos Cesar da Silva, Rubens Cesar da Silva, Sérgio Galdino de Azevedo, Silas Lopes da Silva, Maria Terezinha da Silva, Vilma Pessoa Garcia, Wagner Batista Farias, Zoraide dos Santos, Waldir Batista Farias.
Algumas famílias que trabalharam na congregação continuaram sua caminhada na IP Brás, mas estes foram arrolados em Vila Formosa e seguiram nessa grande história de serviços ao Rei. Louvado seja Deus por tudo isto e o que se seguiria na jornada de fé da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa. (Fonte: Atas da Comissão Administradora da Congregação e Ata da Comissão Organizadora da IP Vila Formosa).