terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Dia do Homem Presbiteriano - 1º Domingo de Fevereiro


Rev. J. Mauricio P. Nepomuceno

No calendário do presbiterianismo, comemoramos, no primeiro domingo de fevereiro, o Dia do Homem Presbiteriano. Esta é uma data muito oportuna para pensar: o que deveria fazer do homem presbiteriano alguém distinto dos demais homens da sociedade?
Talvez pensemos em definir o homem presbiteriano usando o jargão: o homem presbiteriano deve ser um “homem de Deus”. Mas, francamente, o que realmente isso significa? Teria o homem presbiteriano características distintivas como um homem de Deus. Poderia haver um caráter específico para o homem de Deus presbiteriano?
Certamente, para a Escritura Sagrada, a ideia de que um homem é presbiteriano pouco importa. Para nós, entretanto, o que realmente importa nessa qualificação é: o que crê um homem presbiteriano, que o faz diferente dos demais? O homem presbiteriano vive sob quais valores, que o tornam distinto?
A Bíblia como regra de vida - A masculinidade presbiteriana não é apenas um fruto do acaso. O homem presbiteriano aprende valores da sua masculinidade nas Escrituras. Todo homem de Deus deveria aprender a ser homem com Deus, o presbiteriano, em particular recorre à Palavra de Deus para entender o seu papel e o que Deus espera dele: “Guardo no coração a tua palavra para não pecar contra ti” (Sl 119.11).
Jesus como modelo - claro que também às mulheres é dada a ordem de imitar a Jesus. Mas para o homem, Jesus é o modelo perfeito também de como um homem deve aprender a viver para sua esposa e dar a vida por ela: “Maridos, amai a vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25).
Vida pactual - o presbiterianismo é uma tradição cristã que valoriza a relação com Deus nos termos de uma relação pactual. Essa é a chamada “Teologia do Pacto” ou “Teologia Federal”, na qual o homem serve a Deus como cabeça. Claro que todos os seres humanos possuem responsabilidades pactuais com Deus, mas o homem presbiteriano tem a consciência de que Deus requer dele atenção dobrada quanto à espiritualidade da sua família e o seu compromisso de conduzi-la a Cristo: “Bem aventurado o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos!” (Sl 128.1).  
Aprender e desenvolver nossa masculinidade com princípios presbiterianos significa desenvolver um viver bíblico, cristocêntrico e “Coran Deo”, isto é, sempre diante de Deus e para Ele.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A Igreja do Rei - O Espírito Vos Constituiu Bispos

Rev. J. Maurício P. Nepomuceno
Para o apóstolo Paulo estava muito claro o que realmente é a Igreja do Rei e como ela se constitui. Ele declara que a Igreja é uma propriedade de Deus, comprada com o sangue de Cristo: “...a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).
Ele também tem clareza sobre a responsabilidade daqueles que Deus coloca à frente do rebanho e como eles são assim designados: “...sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos” (At 20.28). Desta forma, precisamos lembrar também nós, os que hoje somos chamados para cuidar do rebanho de Deus, que devemos compreender nossa própria missão, enquanto pais, líderes cristãos, responsáveis por cuidar dos interesses do Reino de Cristo e, principalmente, a nossa missão de cuidar da Igreja do Rei.
O Espírito Santo vos constituiu bispos - Aqui, dirigindo-se aos presbíteros de Éfeso, o apóstolo os conclama a tomar todo o cuidado com a própria vida espiritual (Atendei por vós), para que possam cuidar, com percepção espiritual e madura, do rebanho do Senhor (atendei por todo o rebanho). Para completar essa exortação, lhes relembra que são, na verdade, colocados nessa condição e responsabilidade, pelo próprio Espírito de Deus.
Cuidar da Igreja do Rei não é uma tarefa alto imposta, ou uma condição em que podemos nos arrogar fazer. Essa tarefa é resultado do soberano chamado do Espírito de Deus. Ou seja, antes de nós e nossa vontade, o Senhor é quem opera a sua vontade ao escolher os cuidadores da sua Igreja.
Vos constituiu bispos (epíscopos) -  Duas palavras são usadas no texto para se referir a esses líderes: presbíteros e bispos. A primeira aponta para a sua maturidade espiritual, por serem os mais experientes de todo o rebanho, a segunda, objeto do texto de hoje, aponta para sua capacidade de planejar, organizar e escolher o melhor método para se seguir adiante.
Todos nós, em alguma medida, precisamos saber que temos a responsabilidade de facilitar a jornada dos demais irmãos. Precisamos encontrar caminhos com menos pedras, com menos perigos e mais eficientes para alcançar o que está proposto. Que a Igreja do Rei seja santa, sem mácula e pronta para o encontro final com o seu Rei.
Esse trabalho precisa ser feito e a Igreja precisa ser cuidada para Cristo. Essa é a responsabilidade que Deus  designou para nós! Negá-la ou dificultá-la é resistir à própria vontade do Rei. Cuidar da Igreja é um chamado! 

domingo, 20 de janeiro de 2019

A Igreja do Rei - Todo o Rebanho

Rev. J. Maurício P. Nepomuceno

O pastoreio da Igreja do Rei exige que saibamos, com clareza, o que a Igreja é! Infelizmente, nem sempre, lidamos com a Igreja de Cristo da maneira correta, porque temos uma ideia distorcida e equivocada da sua verdadeira natureza.
Este ano, escolhemos o tema “A Igreja do Rei”  para guiar liturgicamente nossa comunidade de fé. Dentro dessa temática, desejamos construir uma percepção correta sobre o é a Igreja do Rei. Nosso alvo é que sejamos capazes de ser e cuidar bem dela.
Para nossas pastorais dominicais, escolhemos o versículo 28 do capítulo 20 de Atos, que se trata de uma orientação do apóstolo Paulo aos presbíteros de Éfeso sobre o pastoreio da Igreja de Deus. Na primeira pastoral, fomos direto ao ponto: “A qual ele comprou com o seu próprio sangue”.  Destacando a natureza da igreja como uma propriedade não de homens e sim de Deus.
Já, na última semana, retomamos o começo do verso, que exige que os pastores do rebanho, tenham cuidado de sua própria fé: “Atendei por vós...”. Como um cirurgião antes de tomar o bisturi para operar um paciente, que precisa, primeiramente, esterilizar seus equipamentos e higieniza suas mãos. Também os que cuidam da igreja não o poderão fazer, sem que antes, cuidem de si mesmos.
Hoje, queremos que você pense sobre o que Paulo diz em complemento a isso: “Atendei por vós e por todo o rebanho...” (At.20.28). Sim, o ponto aqui não é tanto a natureza da igreja, mas sim a sua dimensão.
Todo o rebanho - Cristo não tem preferências e espera que cuidemos de “todas as suas ovelhas”. A nenhuma delas, ele planeja perder (Jo 10.28). Ao contrário, por todas, sem exceção, Ele deu a sua vida (Jo 10.14-15).
Todos nós, precisamos atentar para que em nosso meio todos sejam realmente pastoreados. Isso não se trata apenas de olhar para uma lista e perceber quem foi ou não visitado. O pastoreio é a ação positiva em favor da santificação e restauração efetiva daqueles a quem Deus comprou para si. Por isso, o pastoreio da Igreja do Rei não é um ato isolado de cuidado, mas uma rede de cuidado mútuo: “...até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.13).
Em nossa Igreja, desejamos que cada ovelha seja pastoreada por meio de uma forte rede de cuidado que se chama: Família da Fé. Um proposital modelo de Igreja que sabe o que é amar e cuidar de todos.

domingo, 13 de janeiro de 2019

A Igreja do Rei - Atendei Por Vós

Rev. J. Maurício P. Nepomuceno
Antes de fazer recomendações aos presbíteros para que pastoreiem a Igreja de Cristo, a qual foi por Ele comprada, Paulo os convoca a cuidarem bem de si mesmos primeiramente.
Atendei por vós - Paulo pede aos presbíteros que mantenham-se em guarda quanto a sua própria vida, até porque o rebanho olhará para estes homens e tenderá a imitar a sua fé (Hb 13.7; 1Pe 5.3). Este processo de aprendizagem pela modelagem está no centro do desenvolvimento da vida cristã. Em outras palavras: “crentes aprendem a ser crentes, vendo outros crentes, sendo crentes”.
O próprio apóstolo sabia que esta verdade também se aplicava a ele próprio, que estava disposto a conclamar os seus irmãos a imitar o seu modo de imitar a Cristo (1Co 11.1). Uma de suas mais poderosas frases nos faz pensar seriamente sobre a importância de  atentar bem para nossa vida: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co 9.27).
A igreja do Rei não pode ser pastoreada e cuidada segundo padrões humanos negligentes, baseados em gostos pessoais para atender a interesses meramente humanos. A igreja do Rei deve ser cuidada por pessoas que estejam prontas a modelá-la para que alcance o mais belo padrão de formosura: Cristo (Gl 4.19).
A vida cristã é, portanto, um chamado à excelência de caráter e conduta, que jamais se inicia no outro, mas no “eu” para atingir e moldar o “outro”. Todos, de alguma maneira, temos o dever de cuidar de nós mesmos, para poder participar do amadurecimento e do preparo da Igreja do Rei para o encontro final com o próprio Senhor (Ef  5.27).
Na Igreja, o exemplo fala mais que o discurso. Precisamos cuidar de nossa vida e depositar nossas esperanças na graça que Deus derramará sobre nós, para nos fazer modelares para nossos filhos e para nossos irmãos na fé.
A igreja é uma grande casa de modelação, onde uns aos outros, nos ajudamos a parecer com Cristo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A Igreja do Rei - A Qual Ele Comprou...

Rev. J.Mauricio P.Nepomuceno

O apóstolo Paulo chamou aos presbíteros de Éfeso e, em palavras preenchidas por profunda afetuosidade, lhes recomendou: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).
Uma visão clara do que é a Igreja é fundamental para que saibamos lidar com esta realidade do modo como Deus quer que lidemos com ela.
A qual ele comprou – o apóstolo convocou os presbíteros a pastorearem a Igreja, lembrando que ela é resultado do penoso trabalho da alma do Servo do Senhor (Is 53.11). Para Paulo, deve ficar muito claro para quem lida com a realidade da Igreja que nosso Rei que foi morto para que sua Igreja viesse a existir. Portanto, a Igreja é resultado do mais caro e precioso sacrifício e não pode ser tratada apenas como uma organização humana comum, ou uma questão de gosto ou propriedade pessoal, nem segundo as conveniências e interesses particulares.
Deus Pai sacrificou seu Filho pela Igreja e, por ela, Deus Filho, deu a sua vida.  O ato existencial de “ser igreja” deve ocupar lugar de prioridade e interesse em nossos processos de vida diária. Menos que isso é um modo de desprezo ao próprio Cristo. Você consegue compreender a importância disto?
Você, como igreja de Deus, trata a sua própria vida nessa perspectiva? Você olha para o seu irmão de fé e o vê como aquele por quem Cristo deu a vida? De perguntas assim simples, podemos pensar em profundas e importantes implicações práticas sobre o que estamos fazendo com aquilo que Cristo comprou para si.
O modo como você lida com essa verdade será traduzido no seu amor e cuidado com a Igreja, pela qual Ele deu o melhor. Por isso, aqui na IP Tatuapé, precisamos começar um período de oração pedindo a Deus que nos ajude a cuidar melhor de nós mesmos e do que Ele espera que sejamos como sua Igreja comprada com o seu sangue.
Quando este valor realmente for percebido e compreendido em nossas mentes, começaremos um virtuoso período de cuidado e desenvolvimento para nossa Igreja, como rebanho de Cristo, como uma joia da coroa do Senhor.
Neste ano de 2019, esse será o nosso tema geral: “A Igreja do Rei”. Desejamos aprender sobre a natureza dessa preciosa condição e viver de forma que agrade ao nosso Rei.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O Natal de Jesus e o Ide Por Todo o Mundo

Vimos a sua estrela  no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2.2)- foi assim que os magos souberam do nascimento de Jesus; “Um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles” (Lc 2.9) - esta foi a maneira como os pastores tomaram ciência do nascimento de Jesus, quando a miríade celestial cantou a glória de Deus aos homens; “O que vem depois de mim, contudo, tem a primazia, porquanto já existia antes de mim” (Mc 1.15) - este era o modo como um profeta deu conhecimento às multidões peregrinas nos desertos sobre a chegada do Messias. 
O que há de comum nestes relatos? Eles nos mostram o poder de Deus intervindo na realidade do homem para fazer cumprir a sua vontade e trazer ao mundo o Salvador. Desta forma, meus amados irmãos, todos podemos dizer que a Salvação dos filhos de Deus não foi apenas uma tentativa bem sucedida de resgate, mas o resultado esperado de um plano, executado não na força do homem, mas no poder sobrenatural de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).  
Este é o ponto central dessa nossa meditação, isto é, pensar sobre o fato de que Deus planejou e realizou o ato da salvação dos seus filhos. Mas não somente isso, devemos pensar que todos estes atos sobrenaturais, mediados pelo uso de estrelas, seres celestiais ou mesmo profetas, não eliminaram o simples uso de homens de carne e osso como nós. 
Pense que estes textos, embora contenham elementos de sobrenaturalidade evidente, eles também incluem a participação peculiar de homens, quer magos, vindos do Oriente, pastores que apenas apascentavam seus rebanhos na vigília da noite, ou um homem, nascido de mulher, cuja missão o levava a viver nos desertos e comer gafanhotos e mel. 
A gloriosa história da Salvação dos filhos de Deus, revela a instrumentalidade humana e a decisão de Deus de fazer uso dela. Todos sabemos que  o Salvador foi um filho prometido desde Gênesis 3.15. Dali, em diante, foi a instrumentalidade das famílias e das pessoas, as genealogias de Jesus são uma demonstração desse fato.
Homens são salvos, quando Deus move homens para isso. Essa é uma lição que precisamos relembrar no Natal. Não podemos esperar que as pessoas sejam alcançadas ou que Cristo venha aos seus corações, sem que nós, sejamos os mensageiros e anunciadores desse Evangelho. Natal é a celebração da vinda de Cristo e o Ide da Igreja anunciadora dessa a Mensagem. Os Evangelhos começam com o Natal e encerram sua mensagem no Ide.

sábado, 3 de novembro de 2018

Antecedentes da Reforma - A Tradição Católico Ortodoxa


Nos dias do Imperador Constantino, a mudança da Capital do Império levou para o Oriente, mais particularmente para a cidade de Bizâncio, depois Constantinopla, o centro das atenções, fortalecendo, desta forma, a influência e a política da parte oriental do Império Romano.

Depois de Constantino, no final do IV Sérculo, Teodósio assumiu o Império e é ele quem declarou o Cristianismo como a religião oficial do Império. Após sua morte, o Império se dividiu ainda mais, uma vez que seus filhos separaram a administração  imperial entre Roma e Constantinopla. A cultura e a língua grega prevaleciam na parte Oriental e o Latim e a cultura romana no Ocidente.
O Cristianismo, por sua vez, continuava sendo único nas duas partes do Império, mantendo-se como a principal razão da unidade imperial, mas não escapou às mesmas influências culturais que, aos poucos, faria distinguir as Igrejas do Ocidente e do Oriente. Pode se dizer que a igreja ocidental, influenciada pela cultura romana, tinha uma percepção mais prática da teologia. Já a igreja oriental, por usa vez, tinha uma atitude mais reflexiva e experiencial.
Essas diferenças começaram a ser vistas também na teologia das duas partes do Cristianismo. Os Ocidentais, seguindo a tradição de Agostinho, preferiam a autoridade objetiva das Escrituras e os Credos escritos, assim como a tradição magisterial da igreja, especialmente na ascensão do Papa Gregório, o Grande.
A igreja oriental, buscou na teologia de Orígenes sua maior influência e orientação, resultando numa forte doutrina mística-racional, que favorecia a liturgia da Igreja como a principal forma de seu cuidado cristão. Desta forma, a tradição da liturgia cristã tornou-se central para a Igreja, fortalecendo seu conceito de ortodoxia litúrgica.
Essas diferenças continuariam  distinguido as duas tradições cristãs e com o fortalecimento do papado ocidental culminaram numa grande controvérsia quanto à uma mudança ocidental do “Credo Niceno”, entre os séculos IX e XI. Os orientais acusavam os romanistas de acrescentarem a expressão “e do Filho” na frase sobre a processão do Espírito Santo: “Creio no Espírito Santo, Senhor, doador da vida, e procede do Pai e do Filho” (controvérsia Filioque).  Por isso, os cristãos orientais se diziam “ortodoxos”, uma vez que se mantinham fiéis ao Credo Antigo, sem mudanças. Isso gerou o cisma de 1054d.C. 
As tradições cristãs da alta idade média, infelizmente se apegaram na construção teológica do período medievo, em lugar de fazer um movimento de volta às Escrituras. Um retorno às Escrituras. As Escrituras deveriam ter sido o seu mais forte elo de unidade.
Por isso, uma das importantes contribuições da Reforma Protestante foi que ela buscou nas Escrituras o seu padrão de fé, levando a Igreja de volta a Cristo.